Fortaleza se prepara para receber, a partir desta quinta-feira (31), a 6ª Feira do Cordel Brasileiro, evento que transformará a Caixa Cultural em um palco de celebração da cultura popular nordestina. A abertura oficial será realizada às 17h no Pátio Externo, com acesso gratuito ao público. Até domingo (3), a programação reunirá artistas, poetas, músicos e pesquisadores com recitais, cantorias, oficinas, exposições e a tradicional Feira de Cordéis, Livros, Artesanias e Gastronomia.
Realizada pela Associação de Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará (AESTROFE), a feira é patrocinada pela CAIXA e pelo Governo Federal. O evento teve início com shows nos dias 26 e 27 de julho e agora entra na fase mais intensa, com destaque para a participação de nomes como Francine Maria, Geraldo Amâncio e o Mestre Bule-Bule.
Em entrevista ao programa Entre Assuntos, do Opinião CE, o presidente da AESTROFE e organizador do evento, Klévisson Viana, falou sobre a importância do cordel não apenas como patrimônio imaterial, mas também como força motriz da economia criativa.
“A economia criativa é muito relevante. O poeta traz o seu produto e ele também quer comercializar. Ele quer voltar pra casa com algum dinheiro para a manutenção da sua família e também pelo prazer de difundir a sua arte. Então, são dois prazeres: quando ele vende e quando ele forma um novo leitor”, apontou.
Para Klévisson, o cordel ainda sofre com a falta de compreensão sobre sua complexidade e valor artístico, mas a feira surge justamente como oportunidade de ampliar o reconhecimento do gênero e formar novas gerações de leitores.
“Nós queremos leitores para a literatura de cordel. Quando a pessoa entende que esse gênero é valioso, complexo, tem regras bem estabelecidas, ele aprende a dar muito mais valor. Na cabeça de quem não sabe, acha que é moleza fazer literatura de cordel. É uma arte complexa, fazer mal feito, qualquer um faz”, finalizou.
A Feira do Cordel Brasileiro já se consolidou como uma das principais iniciativas de valorização do cordel no país. Em sua sexta edição, reforça o papel do Ceará como referência nacional na preservação e difusão dessa tradição, que transita entre a oralidade, a poesia popular, a xilogravura e as manifestações musicais.
