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Tragédia reacende alerta sobre segurança em prédios residenciais

A queda de uma criança de 10 anos do quarto andar de um edifício no bairro Aldeota, em Fortaleza, provocou comoção e reabriu discussões sobre os cuidados com a segurança em prédios residenciais, principalmente onde há crianças. O acidente fatal ocorreu na terça-feira (29) e, segundo informações preliminares da Perícia Forense (Pefoce), a tela de proteção da janela pode ter cedido devido à oxidação dos ganchos que a sustentavam. O garoto foi identificado por Cauã, mas não teve o sobrenome divulgado.

O caso despertou a atenção de especialistas em gestão condominial e levantou dúvidas sobre a fiscalização e manutenção de estruturas básicas de segurança. A queda terminou de forma trágica e escancarou negligências que, apesar de evitáveis, ainda persistem em muitas construções.

SEGURANÇA CONDOMINIAL

De acordo com a Associação das Administradoras de Condomínios do Estado do Ceará (Adconce), o episódio deve servir de alerta para síndicos, administradores e moradores. A entidade aponta a necessidade de reforço urgente nas medidas preventivas, especialmente em imóveis que contam com a presença de crianças.

O diretor-executivo da Adconce, George Melo, destaca que a adoção de redes ou grades de proteção em janelas e varandas é apenas uma das etapas da prevenção. Segundo ele, a manutenção desses itens costuma ser negligenciada por muitos condôminos.

A durabilidade média de uma rede de proteção, conforme explica George Melo, é de até três anos. Após esse prazo, o ideal é realizar a troca, independentemente de sinais visíveis de desgaste.

Muitos moradores, inadvertidamente, acham que a rede vai durar a vida toda. É importante verificar se ela está rasgada, se os ganchos estão bem fixados ou enferrujados — o que é comum em áreas com maresia, como as regiões litorâneas”, reforça George Melo.

A Adconce ainda chama atenção para outras áreas dos prédios, além das janelas. Corredores, halls e espaços comuns também merecem atenção redobrada.

“Os síndicos devem observar se há risco de queda em corredores, halls e áreas comuns. Nestes casos, é obrigação do condomínio zelar pela manutenção e segurança desses espaços. Segurança é uma responsabilidade coletiva”, salienta George Melo.

O caso no bairro Aldeota não é o primeiro em Fortaleza. Em 2018, um menino de três anos também morreu ao cair de um edifício na região da Parquelândia. Na ocasião, a tela de proteção da janela cedeu após anos sem manutenção. Em ambos os casos, o desgaste de estruturas de segurança foi apontado como fator determinante para o desfecho trágico.

A ausência de regulamentação específica para inspeções periódicas de redes de proteção em condomínios também entra no debate. Para especialistas, a criação de normas claras poderia evitar acidentes e definir responsabilidades. Enquanto isso, a recomendação geral é de revisão frequente dos dispositivos de segurança e maior conscientização por parte dos condôminos.