O presidente Lula (PT) afirmou que tem tentado contato com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição das taxas de 50% sobre a exportação de produtos brasileiros. Ainda de acordo com ele, no entanto, “ninguém” do governo estadunidense quer conversar sobre o assunto. As tarifas, se a Casa Branca não retroceder, vão ter início nesta sexta-feira, 1º de agosto.
O chefe do Executivo falou sobre o tarifaço em entrevista ao jornal New York Times, publicada na madrugada desta quarta-feira (30).
Segundo ele, houve designação para que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD), e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), conversassem com seus equivalentes do país norte-americano, para que houvesse possibilidade de diálogo. “Até agora, não foi possível”, ressaltou Lula.
O presidente, ainda durante a entrevista, afirmou que não pretende conduzir as negociações como se fosse “um país pequeno contra o país grande”. Lula frisou ainda esperar que Trump aja como “no mundo civilizado”.
Sobre as críticas que tem feito ao presidente dos EUA, o petista chamou Trump de imperador e pontuou que a ameaça de sanção deixa o Brasil “preocupado”, mas não “com medo”. Ele disse que não pretende abaixar a cabeça.
“Nós sabemos o poder econômico dos EUA, reconhecemos o poderio militar dos EUA, reconhecemos a grandeza tecnológica dos EUA. Mas isso não nos deixa com medo”, disse.
O chefe de Estado ressaltou que, em uma negociação entre duas nações, “a vontade de nenhum deve prevalecer”. Ele disse que o meio-termo não é alcançado “estufando o peito e gritando coisas que você não pode entregar” e nem “abaixando a cabeça e simplesmente dizendo ‘amém’ a qualquer coisa que os Estados Unidos quiser”.
