Deputados estaduais da oposição no Ceará afirmaram ao Opinião CE que o diálogo segue normal entre os oposicionistas. Desde que o deputado federal André Fernandes (PL) declarou que o PL teria candidato próprio nas eleições de 2026 para o Governo do Ceará, há quase duas semanas, a incerteza sobre a relação entre os parlamentares pairava no ar.
Conforme representantes do PL, União Brasil e do PDT oposicionista, ouvidos pelo Opinião CE, no entanto, não houve nenhum estranhamento.
Como frisaram os parlamentares, o Café da Oposição – momento em que o grupo se reúne para discutir os rumos políticos – está mantido. O primeiro encontro será realizado já na primeira semana após a volta do recesso parlamentar.
Os três legisladores ouvidos opinaram que a fala de André foi em defesa do PL, e não contra a intenção de unir a oposição. O deputado federal deu a declaração em 18 de julho, dia em que a Polícia Federal (PF) realizou uma operação na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, principal liderança do PL, partido de Fernandes.
No mesmo dia, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) gravou um vídeo em que critica o presidente Lula (PT) e Bolsonaro, o que, na avaliação de aliados, motivou a fala de André, que também comentou o assunto ao Opinião CE.
O QUE DISSERAM OS DEPUTADOS
Segundo o deputado Felipe Mota (União Brasil), não foi uma declaração relacionada ao processo eleitoral, mas sim em defesa do líder do PL. O parlamentar ressaltou que, se alguém tivesse feito uma declaração semelhante contra o ex-deputado federal Capitão Wagner, presidente do União Brasil no Ceará, ele teria ido à tribuna defendê-lo.
“Quem fez questão de dizer que [a declaração] foi ruim [para a oposição] foi o Governo. Ninguém da oposição disse que estamos com relações estremecidas. A declaração foi em defesa do partido dele”, afirmou, ressaltando que André assumirá a presidência do PL Ceará em setembro.
Dra. Silvana, líder do PL na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), disse que não houve estranhamento entre os deputados. “Temos que focar em nos unir como oposição. Já mostramos que nosso grupo unido assombra, isso não há dúvida. Se formos atrás de instabilidade, isso causaria prejuízo político para a oposição e para o Estado”.
Na avaliação da deputada, André se comportou bem ao dar a declaração. “O André se comportou bem como líder do PL. Deu uma puxada de orelha. ‘Respeite o nosso líder, cuidado com as palavras, que não é assim’”, salientou, afirmando ainda que o “puxão de orelha” faz parte da “boa política”, com o objetivo de alinhar o discurso do grupo. Conforme a parlamentar, Ciro precisa estar com o discurso 100% alinhado com o PL.
Quem também falou sobre o diálogo entre os oposicionistas foi Lucinildo Frota, do PDT, mas que vai se filiar ao PL. Ele ressaltou que a oposição não descarta apoiar um candidato que venha a ser lançado por Fernandes. “Isso é momento”, disse, lembrando que Ciro também é pré-candidato e que teria o apoio do grupo.
“Para salvar o Ceará, temos que estar juntos”, frisou, lembrando que a declaração de André foi “no dia da operação do Bolsonaro”, e que o “Governo está vibrando com um possível rompimento que não vai existir”.
