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Chanceler brasileiro cobra respeito dos Estados Unidos em Washington

Mauro Vieira disse ao secretário estadunidense Marco Rubio que é inaceitável e descabida qualquer tentativa de interferência externa em decisões do Judiciário brasileiro. Fotos; Vinicius Loures/ Câmara dos Deputados e U.S. Department of State

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se encontrou nesta quarta-feira (30) com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em Washington. Ambos representam governos ideologicamente opostos — o brasileiro, de centro-esquerda, e o norte-americano, liderado por expoentes da extrema-direita mundial. A reunião ocorreu no mesmo dia em que o presidente Donald Trump, também de extrema-direita, assinou uma ordem executiva impondo tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, com quase 700 exceções.

Após o encontro, Mauro Vieira fez um pronunciamento na Embaixada do Brasil e classificou como inaceitável e descabida qualquer tentativa de interferência externa em decisões do Judiciário brasileiro. A crítica foi direcionada às sanções dos Estados Unidos contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ao tratamento dado ao processo que envolve o ex-presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro (PL-RJ).

Mauro Vieira afirmou que o Judiciário brasileiro é tão independente quanto o norte-americano e que o País não aceitará pressões externas. Segundo ele, o Brasil se reserva o direito de adotar medidas diplomáticas em resposta às ações tomadas pelos Estados Unidos. O chanceler disse ainda que houve concordância sobre a importância de manter o diálogo entre os dois países para tentar resolver os conflitos bilaterais.

VIAGEM E TARIFAÇO

Ainda nesta quarta, Mauro Vieira retornou ao Brasil para relatar pessoalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) os detalhes da conversa com Marco Rubio. A partir disso, o Governo Federal deve decidir como reagir ao pacote tarifário assinado por Donald Trump.

As tarifas entrarão em vigor no dia 6 de agosto. Produtos brasileiros que já estejam em trânsito para os Estados Unidos não serão afetados pela nova taxação. Mauro Vieira estava em New York em compromissos anteriores e viajou a Washington exclusivamente para tratar da crise.

Mais cedo, o governo Trump também impôs sanções contra Alexandre de Moraes, com base na chamada Lei Magnitsky — instrumento legal norte-americano que permite punir, de forma unilateral, pessoas acusadas de violar direitos humanos em outros países. A medida bloqueia bens, contas e empresas dos alvos dentro dos Estados Unidos.

ARTICULAÇÃO DO PLANALTO

Diante da crise, o presidente Lula convocou uma reunião de emergência no Palácio do Planalto. Participaram o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB-SP), que coordena a resposta brasileira, e os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Jorge Messias (Advocacia-Geral da União).

Até agora, a única manifestação oficial do governo brasileiro foi feita pela Advocacia-Geral da União (AGU), que considerou inaceitáveis as sanções contra Moraes. Internamente, a avaliação é de que o episódio ultrapassa o campo comercial e atinge a soberania institucional do País.

Nos bastidores do Itamaraty, diplomatas avaliam que o gesto de Washington, liderado por nomes da extrema-direita como Donald Trump e Marco Rubio, tem motivações políticas. A preocupação é que outras medidas semelhantes possam ser adotadas contra integrantes do Judiciário ou membros do governo brasileiro.

Com informações da Agência Brasil.