Menu

Brasil articula reação diplomática contra tarifa dos Estados Unidos e cogita conversa entre Lula e Trump

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT-SP), afirma que pode ocorrer uma conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) e Donald Trump para tratar das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos exportados pelo Brasil. Segundo ele, os canais de diálogo entre os representantes dos dois países permanecem abertos, mas um contato direto entre os chefes de Estado depende de uma preparação prévia, seguindo protocolos diplomáticos mínimos.

Fernando Haddad destacou que a função dos ministros é justamente facilitar esse caminho. Ele citou o trabalho conjunto com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, atualmente em missão nos Estados Unidos, e com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB-SP), responsável pelo Ministério de Indústria, Comércio e Serviços (MIDC), que também mantém contato direto com representantes do setor produtivo.

A intenção, segundo Fernando Haddad, é garantir que o encontro ocorra em condições de respeito mútuo, valorizando os dois países. Ele criticou a pressão de setores da oposição por decisões apressadas e defendeu uma abordagem mais equilibrada.

É preciso romper com a ideia de subordinação. Devemos nos sentar à mesa com humildade, mas também com firmeza em relação aos interesses nacionais”, afirmou, durante conversa com jornalistas no Ministério da Fazenda (MF).

ARTICULAÇÃO EM CURSO

Um grupo de oito senadores brasileiros está em Washington para dialogar com parlamentares norte-americanos e apresentar alternativas à tarifa de 50% que começa a valer na próxima sexta-feira (1º de agosto). A medida foi comunicada pelo presidente dos Estados Unidos a Lula em carta enviada no dia 9 de julho.

Para Fernando Haddad, já existem indícios de que há disposição e abertura por parte das autoridades norte-americanas. Empresários brasileiros relataram ao governo que estão encontrando maior receptividade em reuniões nos Estados Unidos. Apesar da proximidade da data-limite, o ministro reforçou que as conversas continuarão mesmo após a entrada em vigor da nova taxa.

De acordo com Fernando Haddad, os pontos de vista do Brasil estão sendo compreendidos com mais clareza, o que pode facilitar o entendimento. Ele frisou que a relação entre os dois países sempre foi amistosa e que não há justificativa para uma escalada de tensão motivada por questões que não envolvem diretamente o governo brasileiro.

O vice-presidente Geraldo Alckmin, segundo o ministro Haddad, tem desempenhado um papel central nas negociações. Ele se reuniu três vezes com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, sendo o último encontro o mais longo até agora.

APOIO A EMPRESAS

Enquanto negocia no campo diplomático, o governo brasileiro já tem pronto um plano emergencial para ajudar as empresas afetadas. O documento está nas mãos do presidente Lula e foi elaborado pelos ministérios da Fazenda; Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Relações Exteriores (MRE); e pela Casa Civil.

Segundo Fernando Haddad, foram apresentados vários cenários. “A decisão sobre valores, prazos e alcance das medidas caberá a Lula”, afirmou. Uma das alternativas envolve um programa de proteção ao emprego semelhante ao adotado durante a pandemia de covid-19. “Não sabemos ainda qual cenário o Presidente vai escolher”, acrescentou, sem antecipar detalhes.

O gestor do MF afirmou apenas que o Brasil está pronto para cuidar de suas empresas, proteger seus trabalhadores e manter-se firme no esforço de diálogo internacional. “Buscamos sempre soluções sensatas, respeito mútuo e relações mais próximas entre os países“, concluiu.

Com informações da Agência Brasil.