Se deitar em uma rede no fim da tarde já é uma experiência especial para todo cearense, imagina a metros de altura e sobre a paisagem do Sertão Central? Foi o que um grupo de amantes de aventura e natureza pôde viver no último sábado (19), por meio da parceria entre a equipe especializada em rapel Zicral Adventure e a agência de turismo Trilheira do Sertão.
A atividade radical uniu a tirolesa, uma prática esportiva amada por muitas pessoas, e a tradicional rede, que não pode faltar na casa de qualquer nordestino.
O cenário foi os monólitos da cidade de Quixadá, que proporcionou uma ”sensação indescritível”, como relata a participante Daiana Girassol, de 40 anos, ao Opinião CE.
Da cidade de Crato e mãe de quatro filhos, a aventureira começou com experiências radicais pelas paisagens naturais há cerca de 2 anos, mas desde a infância já sentia um contato especial com a natureza. “Primeiramente, a gente já tá em contato com a natureza, que proporciona emoções muito intensas. Estar, ali, fazendo o que a gente gosta, a vários metros de altura, é uma sensação única, de maravilha”, relata.
Para Daiana, só quem sabe a sensação é quem vive, e as aventuras trazem muita clareza e sabedoria. Aliando à paixão pela natureza e experiências radicais com segurança, ela decidiu se tornar bombeira civil.
“Poder contemplar o pôr-do-sol, o formato das rochas. A gente estava em um momento de intimidade, estava um clima de muita amizade, de família, de brincadeira, todos compartilhando da mesma emoção, de viver essa experiência. Um momento de muita conexão, tanto com a natureza quanto com todos nós”, completa.
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Segundo ela, a primeira coisa a se pensar é na segurança.
A ideia surgiu de Uchoa Neto, escalador e montanhista, idealizador da Zicral Adventure, uma equipe especializada em rapel, que atua no Ceará desde 2015. Para ele, o objetivo é levar as pessoas para terem esses momentos de aventura, assim se tornando uma empresa referência no rapel, com materiais certificados.
“A ideia da rede já é bem antinga. Montei a primeira vez em um highline em um evento no Rio Grande do Norte. Se tornou mais uma brincadeira de amigos e logo tive a ideia de levar essa sensação para outras pessoas”, lembra.
A proposta das redes nas alturas em Quixadá veio em parceria com Ligia Peixoto, fundadora da agência de turismo pernambucana, Trilheira do Sertão, que nasceu em 2025.

O primeiro teste foi feito ano passado, juntando a paixão de ambos por rede e também pela paisagem do sertão.
“Eu queria que outras pessoas entendessem a experiência de viver algo tão incrível. Quando a gente decidiu fazer essa junção, a gente viu que era possível e, desde janeiro, a gente vem fazendo essa parceria e se fortalecendo cada vez mais, trazendo coisas novas”, reitera Peixoto ao Opinião CE.
Conforme a empreendedora e aventureira, nos eventos realizados pela Trilheira, 80% das pessoas interessadas são mulheres, como a exemplo a atividade com as redes suspensas, que contou 6 mulheres e apenas 3 homens.
“Eu acho que a mulher tem um desejo maior para viver certas experiências, tem mais coragem, eu costumo dizer. Ser mulher nesse ramo tão masculino não é fácil. As mulheres são sempre mais corajosas”, destaca.
Segundo ela, as atividades que envolvem alto risco sempre são feitas com equipamentos novos e com uma equipe capacitada. Ligia adianta que, com o sucesso da primeira edição, a ideia é ter mais. Elisângela Barros também foi uma das mulheres que participou do evento. A experiência, de acordo com ela, foi um presente de aniversário, comemorado no dia 13 de julho.
“Eu me presenteei com esse evento. Foi algo único e estou como se ainda estivesse lá, naquelas redes. Foi um estado de superação, eu super indico, é super seguro. É um desafio para com o seu ser”, disse ao Opinião CE.
Para Elisângela, que comemorou 50 anos, nas alturas, cada rapel é algo muito prazeroso. Por meio do esporte, segunda ela, conseguiu parar de fumar e enfrentar o sedentarismo.
MONÓLITOS DE QUIXADÁ
Ao todo, são 16 mil hectares de área com formações rochosas conhecidas como inselbergs, inseridas no município de Quixadá. As rochas raras têm a sua preservação a serviço da ciência, da cultura e da integração radical com a natureza.
“O lugar é extremamente propício para essas práticas. Quixadá é a terra dos monólitos, se torna o palco lindíssimo para todas essas práticas”, destaca Ligia Peixoto.
Como Unidade de Conservação Ambiental estabelecida em 2002, pelo Decreto Estadual 26.805/2002, a região pode receber um turismo histórico e ecológico ordenado por regras e convenções de sustentabilidade e constante aprendizado.
