Menu

Lula defende participação mais ativa da sociedade na defesa à democracia: “Precisamos atuar juntos”

O presidente Lula (PT) participou, nesta segunda-feira (21), de evento sobre a defesa da democracia, no Chile. O “Democracia Sempre” reuniu líderes da Colômbia, Espanha, Chile e Uruguai, além do chefe do Executivo brasileiro. Na ocasião, o petista defendeu que a sociedade precisa ser mais participativa na defesa da democracia e afirmou que a liberdade de expressão não pode ser confundida com o ataque ao Estado democrático de direito.

A reunião dos líderes ocorre no âmbito das sanções anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil, como a tarifa de 50% sobre a exportação brasileira e a revogação de vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para os EUA.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é outra peça central da disputa política entre EUA e Brasil. Na carta enviada a Lula, Donald Trump afirma que o país sul-americano promove uma “caça às bruxas” ao ex-chefe do Executivo. Mesmo sem citar o nome dos representantes da extrema-direita, Lula falou sobre o assunto à imprensa.

“Nesse momento em que o extremismo tenta reeditar práticas intervencionistas, precisamos atuar juntos. A defesa da democracia não cabe somente aos governos. Requer participação ativa da academia, dos parlamentos, da sociedade civil, da mídia e do setor privado”, disse.

Lula falou ainda sobre a taxação de grandes fortunas, pauta que vem sendo defendida pelo governo do petista. “Não há justiça em um sistema que amplia benefícios para o grande capital e corta os direitos sociais”, disse. No Congresso Nacional, foi protocolado projeto para isentar o Imposto de Renda (IR) de quem ganha até R$ 5 mil.

As discussões envolvem três temas: defesa da democracia e do multilateralismo; combate às desigualdades; e tecnologias digitais e o enfrentamento à desinformação. Para o presidente brasileiro, são necessárias ações concretas e urgentes diante do agravamento da ofensiva antidemocrática no mundo.

“A democracia liberal não foi capaz de responder aos anseios e necessidades contemporâneas. Cumprir o ritual eleitoral a cada quatro ou cinco anos não é mais suficiente. O sistema político e os partidos caíram no descrédito. Por essa razão, conversamos sobre o fortalecimento das instituições democráticas e do multilateralismo em face dos sucessivos ataques que vêm sofrendo”, afirmou.

“DEMOCRACIA SEMPRE”

Organizada pelo presidente chileno Gabriel Boric, também participaram do evento os líderes da Colômbia, Gustavo Petro; da Espanha, Pedro Sánchez; e do Uruguai, Yamandú Orsi.

Na sequência da reunião reservada entre os líderes, eles se encontraram com representantes da sociedade civil, do meio acadêmico e de grupos de reflexão sobre políticas públicas.

Os cinco líderes também concordaram sobre a necessidade de regulamentação das plataformas digitais e do combate à desinformação para “devolver aos Estados a capacidade de proteger os seus cidadãos”. O grupo de presidentes ainda convocou a sociedade organizada para a construção coletiva de propostas de reformas estruturais para enfrentar as desigualdades.

O evento ocorre em seguimento à primeira reunião de alto nível Em Defesa da Democracia: Lutando contra o Extremismo, realizada em setembro de 2024, à margem da 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. O evento foi convocado pelo presidente Lula e pelo espanhol Pedro Sánchez.

Como próximo marco da iniciativa, está prevista a realização de reunião no contexto da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro próximo, em Nova York. Na ocasião, também devem participar os líderes de México, Inglaterra, Canadá, Honduras, Austrália, África do Sul e Dinamarca.