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Entrevista: ortopedista alerta para aumento de casos de artrose em jovens

Foto: Ezequiel Vieira/ Opinião CE

Tradicionalmente associada ao envelhecimento, a artrose vem sendo cada vez mais diagnosticada em faixas etárias mais baixas. Durante entrevista ao programa Entre Assuntos, do Opinião CE, o ortopedista Tiago Gomes alertou sobre o problema que tem preocupado médicos e pacientes. Segundo o especialista, fatores genéticos, traumas, má formação nas articulações e até consequências da pandemia estão entre os motivos que explicam o avanço da doença em faixas etárias mais baixas.

Não é mais uma condição exclusiva da terceira idade. Há defeitos articulares que se manifestam desde a infância ou adolescência e podem evoluir para artrose precoce”, afirmou. Ele ainda destacou que o período pós-pandemia trouxe aumento de casos de osteonecrose, uma condição que, quando não tratada, pode levar ao desgaste articular e ao surgimento da artrose. “Vivemos a realidade da pandemia, que trouxe um aumento da incidência de uma condição chamada osteonecrose, que pode culminar com a artrose”, alertou.

Na conversa, o especialista explicou que a artrose é uma doença inflamatória que afeta as articulações, provocando desgaste da cartilagem, dor e limitação de movimento. De acordo com o ortopedista, o problema pode surgir ainda na infância ou adolescência, especialmente em casos de alterações congênitas ou traumas. “Isso pode acabar culminando com o desenvolvimento de uma artrose mesmo em um público mais jovem”, afirmou.

Tiago também esclareceu uma dúvida recorrente entre os pacientes: a diferença entre artrite e artrose. Enquanto a artrite está mais relacionada a processos autoimunes, como no caso da artrite reumatoide, a artrose está ligada ao desgaste da cartilagem e ao processo de degeneração das articulações ao longo do tempo.

Entre os principais sinais de alerta da artrose, o médico destacou dores na região do quadril, especialmente próximo à virilha ou ao glúteo, além de dificuldades em tarefas simples, como agachar ou calçar os sapatos. “Dor próxima da articulação é um grande sinal de alerta. Seja no quadril, no joelho ou na coluna, a pessoa precisa ficar atenta. Existe a dor muscular, que vem após o esforço físico e tende a desaparecer naturalmente. Mas a dor que persiste mesmo sem esforço, principalmente próxima às articulações, é um sinal de que algo está errado”, reforçou.

Outro ponto importante da conversa foi o alerta sobre o uso indiscriminado de analgésicos e anti-inflamatórios para alívio da dor. Para o ortopedista, a automedicação pode mascarar sintomas importantes e atrasar o diagnóstico correto. Entre as principais orientações do especialista estão a prática de atividade física com acompanhamento profissional, atenção ao peso corporal e cuidados com posturas e esforços repetitivos.