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Cultura e tradição: Expocrato 2025 movimenta o comércio local e agricultura familiar

Um ano e meio do plantio até a colheita, arrancagem, tributamento, mistura. Pronta para o preparo. A mandioca é um dos produtos mais esperados nos 10 dias da 72ª Feira da Agropecuária do Crato (Expocrato), e reafirma a importância da continuidade das tradições passadas de geração em geração.

A edição 2025 começou neste domingo (13), com previsão de receber 12 milhões de pessoas, e com investimento de R$ 140 milhões em novos negócios.

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A programação anual representa um espaço importante para a valorização e manutenção das culturas agrícolas familiares da região. É o caso da famosa Casa de Farinha do Parque Pedro Felício Cavalcante, comandada pelos trabalhadores da Associação de Moradores do Sítio Malhada, localizado no distrito de Ponta da Serra, cerca de 22 km da sede do município do Crato, no Cariri Cearense.

Para José Ferreira, conhecido como Zé Pinto, atualmente coordenador do espaço, a ExpoCrato representa um momento em que o Ceará e o Nordeste podem conhecer e acessar alimentos produzidos pela agricultura familiar.

“É um momento muito importante para a gente. Mesmo saindo daqui da roça, trabalha com uma cultura que já foi tao tradicional na região, e obteve esse reconhecimento. A gente fica muito feliz com isso, toda a comunidade, principalmente a gente que está a frente. Isso é muito importante para o nosso assentamento”, analisa o expositor.

Segundo o agricultor, a preparação dos trabalhadores rurais para a ExpoCrato começa cedo, movimentando todo o comércio local e contribuindo para a circulação de renda para os moradores. 

“É um evento muito importante financeiramente para a região do Cariri, ela acontece nesses 10 dias de festa, mas a ExpoCrato é uma preparação de meses antes, de movimento, de emprego temporário, movimenta muito o comércio local, a cidade, a região, Juazeiro, Barbalha, Cariri”, complementa.

A abertura da Expocrato 2025 contou com a presença do governador Elmano de Freitas (PT) e do ministro da Educação, Camilo Santana.

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Estiveram presentes também o prefeito do Crato, André Barreto; o secretário- Chefe da Casa Civil, Chagas Vieira; o presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, Romeu Aldigueri; a senadora da República, Augusta Brito; e outras autoridades.

Foto: Arquivo pessoal/ Zé Pinto.

CONTINUIDADE E DEDICAÇÃO

A Associação Comunitária Pe. Frederico é formada por cerca de 11 famílias que vivem no Assentamento, fruto de crédito fundiário, e atua na Casa de Farinha desde o ano de 2002.

Além do espaço situado no Parque, parte do processo é feito no sítio Malhada, com cerca de 30 trabalhadores, todos descendentes de moradores que já atuavam com a cultura da mandioca na região.

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Em 2002, com apoio do Governo do Estado do Ceará, por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão do Ceará (Ematerce), os moradores conseguiram comprar o terreno com o local de produção, e foram escolhidos para cuidar da Casa de Farinha do Parque da ExpoCrato. Para o coordenador, a permanência do negócio representa uma continuidade de uma tradição que já é rara no Estado.

“A gente fica muito feliz por estar dando continuidade, e eu nem digo resgatando, porque ela continua existindo, a gente não está resgatando nada, mas dando continuidade a tradição. A gente tem alguns maquinários mais modernos, mas tudo que sai para venda é praticamente manual ainda, preparado por mãos humanas, como peneirar goma, misturar, tudo ainda é manual”, pontua Zé.

ESPAÇO DE HISTÓRIA

Todo ano a Casa de Farinha recebe estudantes de diversas escolas, institutos federais e faculdades da região e até mesmo de outros estados, como no sítio. São em média 4 visitas de estudantes por ano para conhecer maquinários, equipamentos antigos e formas de produção e cultivo tradicional da mandioca.

“A gente sempre recebe essa turma para estar mostrando aqui nossa cultura, para estar tirando as dúvidas do pessoal que não conhece mais. Essa geração mais jovem não conhece mais essa cultura. Existem muitas casas de farinha, mas 100% automatizadas, não existe mais aquela produção humana como antigamente, e a gente faz isso hoje em dia, a gente fala do início, praticamente uma aula”, ressalta Zé Pinto.

Parte da rota turística do Crato, a Casa de Farinha já recebeu diversas homenagens, incluindo da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, e do Prêmio Multimídia, da Rádio Vale FM. “O que me deixa mais feliz além de toda festa é o reconhecimento de eu coordenar um empreendimento como uma Casa de Farinha. Isso é importante para gente que vem da roça, que tá la no campo, e durante esses dias tá lá recendo essas pessoas”.

“A felicidade é poder, uma pessoa como eu, falando da nossa cultura, de ser conhecido. É muito importante ter alguém vendo a gente, vendo que é um trabalho sincero, um trabalho que vem do coração e a gente não tá deixando morrer, passando de geração em geração, para não deixar essa cultura morrer”, lembra.

EXPECTATIVAS

Segundo Zé Pinto, a produção e as vendas têm crescido. No início, segundo o empreendedor, eram vendidas cercas de 10 a 15 sacas de goma, desmanchadas em beiju e tapioca, que podem ser tradicionais, ou adicionados amendoim e coco.

Hoje, segundo ele, é possível transformar em beiju e tapioca cerca de 15 toneladas de mandioca e 200 sacas de goma em 10 dias.

Para este ano, a espera é de um bom resultado, mesmo com limitações de espaço do Parque. “A expectativa para a ExpoCrato desse ano é ter um aumento de venda, sempre tem todo ano. Só depende da nossa organização, porque a gente tem um espaço bastante reduzindo, a gente não consegue crescer lá dentro, com a reforma que aconteceu há 7 anos, o espaço foi reduzido”.

“Ficou muito a desejar nossa casa de farinha, mas mesmo assim, a gente com organização e muito esforço, consegue aumentar mais um pouco as vendas, e que se deus quiser vai da certo, a gente tem uma expectativa boa, que seja tudo em paz, e que ao logo desses dez dias a gente consiga trabalhar bem e atender bastante os turistas que vem para a região”, completa.

A Casa de Farinha começou os atendimentos ao público na última sexta-feira (11), das 7h às 21h, e segue até o último dia de programação, 20 de julho.