A partir de um negócio entre irmãos em Juazeiro do Norte, nascia uma das marcas de refrigerante mais emblemáticas do Nordeste, a São Geraldo. Hoje a empresa é encabeçada pela famosa cajuína, bebida gaseificada que leva o icônico sabor de caju e carrega o lema de “O sabor do Nordeste”.
Em entrevista ao programa Entre Assuntos, com Elba Aquino, a diretora administrativa da Indústria de Cajuína São Geraldo, Teresinha Lisieux conversou com o Opinião CE sobre a história, importância regional e planos futuros do refrigerante que se tornou um dos patrimônios da região do Cariri.
Assista à entrevista completa com a diretora administrativa da São Geraldo, Teresinha Lisieux:
Para Teresinha, um dos principais princípios da marca é levar qualidade e sabor para todo o Nordeste. Com quase 50 anos de fundação, atualmente a Cajuína São Geraldo possui um parque industrial com extensão de mais de 33 mil metros quadrados.
Hoje a parte administrativa fica separada da industrial, mas tudo é organizado e supervisionado em tempo real, de acordo com a gestora.
“O mercado em si de refrigerante mudou bastante, mas uma coisa a gente preserva, a qualidade do produto. Então com o mesmo padrão que a cajuína era feita na década de 60, 70, 80, ela se mantém hoje, com mais segurança nas boas práticas de fabricação, destaca Teresinha, uma das descendentes dos fundadores da marca.
Além de empresa, a marca tornou-se uma referência cultural da região do Cariri, sendo um local turístico que recebe visitantes de todo o país. Atualmente emprega em torno de 600 pessoas diretamente e milhares indiretamente.
Neste ano, a partir da alta demanda do público, a São Geraldo lançou a Cajuína Zero, trazendo o mesmo sabor clássico, mas sem adição de açúcares. A marca lançou diversas campanhas, incluindo a que desafiava os amantes da bebida a cumprir o desafio caso a bebida fosse lançada.
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HISTÓRIA
A São Geraldo é uma referência ao santo italiano de mesmo nome. Tudo começou em uma pequena fábrica de bebidas alcoólicas que produzia vinhos a base de frutas, como caju, jurubeba e jenipapo. Antes na posse de Luciano Teófilo de Melo, conhecido comerciante de Juazeiro.
Anos depois, José Amâncio de Souza passou a fazer parte do quadro de funcionário dessa fábrica. No início da década de 1960, Amâncio torna-se proprietário.

Em 1976 José Amâncio, ao lado dos irmãos Francisco de Souza e Tarcila de Sousa, fundaram uma sociedade e abriram a ração social “Cajuína São Geraldo Limitada”.
“Eles tinham essa pegada de fomentar a cultura na região, manter as tradições de todos os aspectos, e isso foi passado para nós, da segunda geração, então hoje a são Geraldo apoia diversos sistemas culturais, entidades, grupos e associações que trabalham com a cultura”, destacou Teresinha.
A partir dessa data, ficou sendo fabricando só o refrigerante, quando foi gasificada a bebida de caju. E desde lá, continua com a mesma razão social.
PARTICIPAÇÃO FEMININA
Desenvolvida com forte presença feminina desde sua fundação, a São Geraldo, segundo a gestora, mantém, de maneira orgânica, a presença forte das mulheres em cargos de liderança, essenciais e de gestão até hoje.
“Desde que a São Geraldo iniciou, a presença feminina foi muito importante, tem duas pessoas: Tarcila Sousa e Terezinha Sousa eram que davam o suporte burocrático aos irmãos Francisco de Sousa e José Amâncio de Sousa, que eram operação e comercial. Elas eram o coração do negócio”, destaca o nome de suas parentes, que tiveram papel importante no desenvolvimento da marca.
A diretora cita diversos outros nomes que hoje compõem o quadro de colaboradoras, mas também pontua o papel importante das figuras masculinas no andar dos processos. “Veio Ana Maria, Teresa Neuma, Luciene e Teresinha Lisieux e agora Virgínia, Joseane. Então tem sempre mais mulheres na direção da São Geraldo do que homens, mas eles também tiveram um papel muito importante no contexto geral da São Geraldo”, completou.
MENSAGEM DE ZELO COM O TERRITÓRIO
Teresinha leva a mensagem da São Geraldo para outros estados e até países, e está sempre a frente da São Geraldo. Conforme ela, a essência da São Geraldo é de uma empresa familiar que fomenta a cultura e a tradição e a história da região do Cariri, como festas juninas, reisado, maracatu.
“Eu amo contar a história da Cajuina, porque é uma história que eu vivi dentro da São geraldo. Quando eu entrei era tudo manual, os maquinários eram semi automáticos, mas toda a parte burocrática ela manual , minhas tias me ensinaram a fazer todo o controle manual, hoje eu posso passar um dia sem pegar em um papel”,
Para Teresinha, qualidade, ética em todos os setores e comunicação são os principais pilares para um bom negócio. Hoje a empresa trabalha com o processo de sucessão. “Sucessão para nós é tranquilo, é você saber que você vai ter que passar o bastão para as próximas gerações que não vão fazer do seu jeito, mas podem fazer até melhor”, complementou.
CULTURA E TRADIÇÃO
Não só no ramo de bebidas que a marca se destaca, desde o nome até sua origem, o refrigerante se relaciona intrinsecamente com as tradições, saberes, territorialidades, religião e cultura da região caririense.
A exemplo, a Vila São Geraldo, localizada na sede administrativa da empresa, onde são recebidos diversos romeiros e visitantes religiosos de todo o Nordeste, se tornando parte da rota turística de Juazeiro do Norte. “Isto faz com que a gente abra a sala de visita da nossa casa para receber as pessoas, e isso é muito bom porque mantém a quele laço de amizade, então as pessoas vêm uma vez, gostam, e vêm novamente outra vez para a gente”, destacou.
“Nós temos um lema que nós somos o sabor do Nordeste, então quando as pessoas vêm de longe visitar as suas famílias, todas servem o refrigerante São Geraldo, é uma forma de tornar aquele momento único. Quando as pessoas volta, levam um refrigerante, mas elas não levam apenas o refrigerante, eles levam as lembranças dos momentos bons que passaram visitando seus familiares aqui”, pontuou.
De acordo com Teresinha, a São Geraldo contribui para o reforço da cultura nordestina e cearense, em especial pelo saudosismo. “Temos essa premissa de manter a cultura, a história e a tradição da nossa região e esse receber com muito carinho os romeiros que vem nos visitar. Nas romarias todos os funcionários se mobilizam para receber os romeiros”, disse.
Conhecida nacionalmente pela valorização da cultura e tradição nordestina, o refrigerante venceu o prêmio o iF DESIGN AWARD 2025, um dos maiores selos de excelência do design do mundo, com a campanha “No São João, a gente veste o Nordeste”, que homenageava cada um dos estados da região com latinhas temáticas.
FUTURO
Para o futuro, Teresinha adianta que o caminho é pelo desenvolvimento de bebidas saudáveis, plano de trabalho para novos lançamentos, sempre mantendo um pé no passado e prospectando o futuro.
“É ver o futuro la na frente, o distante, o próximo, mas sem esquecer o que veio atrás, sem esquecer nossa ancestralidade, sem esquecer toda nossa história. A gente vai caminhando para o futuro, mas sem esquecer do passado”, reitera.
Para novos empreendedores, Lisieux ressalta pontos dos quais a São Geraldo também segue, como um trabalho ético de qualidade, bem como uma boa relação com público, sempre prezando pela capacidade de dialogar de forma eficiente a mensagem que querem transmitir.
“É muito importante que os empreendedores que estão começando que eles tenham essa tríade, da qualidade do se produto, acreditar que seu produto é bom, que ele vende, que as pessoas valo gostar dele; tratem seu produto com a ética necessária, elevando todo seus padrões, pagando todos os impostos, respeitando as concorrências; e por último a comunicação”, ressaltou.
