Faleceu, aos 82 anos, o jornalista histórico cearense Gervásio de Paula, nesta quinta-feira (10). O escritor e comunicador veio a óbito em decorrência de complicações de saúde, conforme informou o Sindicado dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce). A informação do falecimento foi divulgada pelo Superintendente do Instituto do Desenvolvimento Agrário do Ceará (IDACE), João Alfredo.
O jornalista é pai de Janaina, companheira de Alfredo. Em nota, o ex-deputado federal homenageou o sogro, e expressou gratidão pelo apoio durante a vida pessoal e parlamentar. Segundo ele, o jornalista sempre propunha homenagens a colegas comunistas, e foi ideia dele a renomeação da Praça 31 de Março para Praça D. Helder, fazendo justiça ao prelado cearense.
“Cumpro o doloroso dever de comunicar que nos deixou na madrugada de hoje o jornalista Gervásio de Paula. Referência fundamental para jornalistas de várias gerações […] deixa como legado sua trajetória de coerência na luta democrática em nosso país, ele que foi militante do velho Partidão. Seu texto escorreito, combativo e inteligente, assim como seu humor afiado, sua generosidade humanista e seu amor pelas filhas, netas e neto farão muita falta nestes tempos duros de combate ao fascismo”, lamentou o político.
O velório será realizado na sede do Sindjorce (Rua Joaquim Sá, 545 – Dionísio Torres), nesta quinta-feira, (10), das 10h30 às 16h, com celebração de despedida às 15h.
Nas redes sociais, o sindicato também escreveu nota lamentando o falecimento do jornalista histórico da cidade, homenageado a trajetória do comunicador, conhecido por ser combativo, generoso e profundamente humano.
“Gervásio tornou-se sócio do Sindjorce em 1º de junho de 1970 e dedicou toda uma vida ao jornalismo, exercendo a profissão com coragem, ética e compromisso com a verdade”, escreveu a entidade em nota. “Que sua memória siga viva na luta por um jornalismo mais justo, livre e comprometido com os direitos humanos. Toda nossa solidariedade aos familiares, amigos e colegas de profissão”.
Dellano Rios, editor-geral do Opinião CE, que trabalhou junto ao jornalista, também lamentou a perda do companheiro de profissão.
“Tive a oportunidade de editar crônicas do Gervásio, quando ele escrevia para o Diário do Nordeste. Eram textos temperados de boêmia e de um olhar, ao mesmo tempo, crítico e amoroso para o mundo. Essas eram exatamente duas características marcantes dele: crítico e amoroso”
Gervásio é autor da biografia Américo Barreira: Um Estadista do Municipalismo e coautor da obra Amazônia Retalhada, em parceria com os jornalistas Frota Neto e Euciano Barreira.
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TRAJETÓRIA
De Paula iniciou sua história com o jornalismo na década de 1950, como aprendiz de revisor no jornal O Estado, e passou por importantes redações cearenses, como O Povo, Diário do Nordeste, Diário do Povo, Gazeta de Notícias e Tribuna do Ceará.
Também atuou como correspondente dos jornais Em Tempo (SP), Tribuna da Imprensa, Opinião (RJ) e Jornal do País, além de colaborar com o Jornal do Brasil, Correio do Povo (Porto Alegre) e Correio Braziliense.
Gervásio foi o primeiro editor do jornal alternativo Mutirão, que circulou entre 1977 e 1982, sendo um importante porta-voz dos movimentos sociais e um instrumento de resistência à ditadura militar. Na comunicação radiofônica, atuou como redator das rádios Uirapuru e Dragão do Mar, e também escreveu para revistas como a Caros Amigos.
Durante o regime militar brasileiro, Gervásio foi vítima de prisão arbitrária e tortura. De acordo com o relatório da Comissão da Verdade do Ceará, ele foi detido no dia 15 de abril de 1974, em Fortaleza, no lugar de outro militante político, José de Paula.
