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Terreiro de candomblé mais antigo do Ceará é homenageado na Alece

Existe, no âmbito da Capital, um processo de tombamento em reconhecimento da casa Ilé como patrimônio material e imaterial de Fortaleza. Foto: Marcos Moura

A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) promoveu, nesta terça-feira (8), uma solenidade em homenagem aos 50 anos do Ilé Ibá Asé Kpósú Aziri, o terreiro de candomblé mais longevo do estado do Ceará. A iniciativa atendeu à solicitação do deputado Renato Roseno (Psol) e foi subscrita pela deputada Larissa Gaspar (PT).

Conforme o parlamentar psolista, a homenagem destinada ao terreiro se estende também a todas as outras casas e religiões de matriz africana do Ceará. De acordo com o parlamentar, a Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Alece recebe, quase que semanalmente, denúncias de intolerância e racismo religioso.

“A literatura brasileira anota as diferentes formas de resistência de comunidades de homens e mulheres escravizadas. Para cultivar seus orixás, para cultivar suas deidades, para cultivar seus ritos, se fazia muitas vezes no segredo das comunidades rurais, no segredo da noite quando aqueles que eram os algozes nesse processo de escravização se retiravam”, destacou o deputado.

Para a deputada Larissa Gaspar (PT), os seguidores da religião são exemplo de força ao enfrentar a intolerância para manifestar sua espiritualidade.

“Vocês não são só filhos e filhas de santo, vocês são guerreiros e guerreiras que resistem pelo direito de expressar a sua fé, a sua religiosidade, o seu amor. Então a gente fica muito feliz em ver esse plenário representado pela pluralidade religiosa, pela liberdade religiosa, pelo direito de expressar a nossa crença, a nossa fé”, disse.

A secretária executiva da Igualdade Racial (Seir), Martír Silva, ressaltou que, ao completar meio século, a casa Ilé demonstra sua relevância religiosa e cultural. “Essa instituição merece reconhecimento, porque ela existe por um tempo que demonstra um apego, um zelo, um cuidado e uma funcionalidade permanente”, pontuou.

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Segundo a secretária executiva da Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza, Ticiana Studart, a solenidade foi um espaço de reparação e de reconhecimento cultural do povo. “Os terreiros têm um papel muito importante na sociedade, e por isso mesmo, é papel do poder público reconhecer”, complementou.

No âmbito da Capital, existe um processo de tombamento em reconhecimento da casa Ilé como patrimônio material e imaterial de Fortaleza.

HOMENAGENS

Representando os agraciados, o líder do templo, Babalorisa Shell de Obaluaiyê, relembrou a trajetória da casa Ilé Ibá Asé Kpósú Aziri. “Ao longo da nossa história, uma das marcas do Ilé foi levar nossa religiosidade para além dos muros do terreiro, abraçando a comunidade e apresentando para os espaços públicos de Fortaleza alguns rituais e alguns conhecimentos característicos do candomblé”, contou.

Para ele, apesar de todas as dificuldades, o sentimento é de que tudo valeu a pena após os 50 anos da Casa.

“Por meio do legado deixado por nossos fundadores nós aprendemos muito e buscamos fazer do Ilé Ibá uma casa que buscou com simplicidade oferecer às pessoas o que de melhor o candomblé tem de enquanto religiosidade afro-brasileira”, declarou Babalorisa Shell de Obaluaiyê.

A lista de homenageados contou ainda com Babalosoin Neri; Babalorisa Ajideyi Santos; Babalorisa Silvio Dantas; Babalasé Lázaro Mozer; Yakekerê Mãe Lu; Lya Egbé Nadja; Mário Fundaro; e Cleudo Júnior. 

Na mesa da cerimônia, estiveram presentes a coordenadora de Diversidade, Acessibilidade e Cidadania Cultural da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult), Helena Campelo; e o coordenador Especial da Igualdade Racial do município de Fortaleza, Isaac Santos.