Técnica inovadora, fruto de pesquisa na Universidade Federal do Ceará (UFC), a utilização da pele de tilápia na medicina está sendo negociada com o mercado. O reitor da universidade, Custódio Almeida, revelou ao Opinião CE que a negociação, por meio da Agência de Inovação, “avançou bastante”. Como explicou ele, quando o processo for finalizado, a UFC receberá royalties — pagamento pelo direito de uso de uma marca, nesse caso, da técnica patenteada.
“Temos certeza de que, em breve, vamos começar a receber bastante”, pontuou. “Na hora que fecharmos [a negociação], a Universidade passa a receber recursos”, acrescentou.
A pesquisa completou 10 anos neste ano de 2025 e já conta com o registro de patentes. O biomaterial à base da pele de tilápia, na medicina, pode ser utilizado para procedimentos como o tratamento de queimaduras e úlceras, em cirurgias de reconstrução vaginal, na redesignação sexual e na veterinária.
Confira a entrevista na íntegra
O reitor destacou o papel da Pró-Reitoria de Inovação e Relações Interinstitucionais na obtenção de patentes e negociação com o mercado. “Essa Pró-Reitoria chega para identificar quais pesquisas podem gerar patentes e o que fazer com essa patente, como chegar no mundo do trabalho, dos negócios, do mercado e oferecer aquilo para a sociedade”, disse, ressaltando que “a patente por si só não gera negócio”.
Os royalties provenientes dos negócios com o mercado, como explicou Custódio, poderão ser utilizados tanto para investimento como para custeio. “Quando a gente faz o orçamento, colocamos três grandes rubricas: investimento, custeio e receitas próprias. Quando a Universidade recebe royalties, eles vão para a receita própria”, informou.
Uma vez na receita própria, o recurso pode ser destinado para as outras duas rubricas. “Basta fazer a transação junto ao Ministério da Educação [MEC] e pedir a alocação”, explicou o reitor.
