Mais de 100 mil pessoas em Fortaleza enfrentam uma situação crítica: vivem em áreas sem Código de Endereçamento Postal (CEP). A denúncia foi feita pelo deputado estadual Acrísio Sena (PT), na tribuna da Assembleia Legislativa (Alece). Segundo o parlamentar, 32 conjuntos habitacionais na capital cearense seguem invisíveis para os serviços dos Correios, o que impede seus moradores de acessar direitos básicos.
Acrísio Sena destacou que há avanços nas tratativas para a instalação de uma agência dos Correios, fruto de articulação entre a Prefeitura de Fortaleza, a própria estatal, o Centro de Educação Tecnológica do Ceará (Centec) e o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). Como parte do processo, o deputado também convocou uma audiência pública para ampliar o debate com representantes de todos os conjuntos afetados.
A ausência de CEP vai além da dificuldade de receber correspondências. Sem essa referência básica, as comunidades sofrem com a escassez de agentes de saúde, falhas na coleta de lixo e outros serviços públicos fundamentais. Segundo Acrísio Sena, trata-se de uma demonstração clara de negligência do Estado, que ele classificou como um Sem-CEP institucionalizado para essa população.
“Em pleno Século XXI, nós temos 100 mil pessoas em Fortaleza que não têm o direito de receber uma correspondência, que não têm o direito de fazer o pedido de um produto [pela internet] e receber na sua casa. Por quê? Porque não tem o Código de Endereçamento Postal, o CEP. Eu já participei da luta dos sem-teto, dos sem-terra e agora vou me somar à luta dos sem-CEP”, frisou Acrísio Sena.
O problema é mais agudo na Zona Sul de Fortaleza, onde se localiza a maioria dos conjuntos habitacionais sem CEP. No entanto, outras áreas da Cidade também enfrentam a mesma realidade. O número de pessoas afetadas ultrapassa o total de habitantes de cidades como Crato e Itapipoca. “Se reunidos em um único território, esses moradores formariam a sexta maior população do estado do Ceará“, salientou Acrísio Sena.
A realização da audiência pública é apontada como um passo essencial para dar visibilidade à situação e cobrar soluções efetivas do poder público. O deputado Acrísio Sena reforça que o engajamento dos profissionais de Comunicação Social será decisivo para pressionar autoridades e garantir a inclusão desses cidadãos nos serviços essenciais de infraestrutura e cidadania.
