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Petrobras quer ampliar escoamento de gás natural do pré-sal para reduzir custo à indústria

Magda Chambriard, presidente da Petrobras, também falou sobre o pacote de investimentos de mais de R$ 33 bilhões no refino de petróleo e na indústria petroquímica no estado do Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou nesta quinta-feira (3) que a estatal do petróleo quer aumentar o volume de gás natural escoado para a costa, de forma que o combustível possa chegar mais barato às indústrias. “Quanto mais gás a gente conseguir trazer para a costa, mais barato será esse gás para a sociedade”, declarou durante apresentação a jornalistas do pacote de investimentos de mais de R$ 33 bilhões no refino e na indústria petroquímica no estado do Rio de Janeiro.

O plano de negócios engloba a integração entre a Rota 3, de escoamento de gás natural dos campos do pré-sal da Bacia de Santos, no litoral do Sudeste, unidades petroquímicas e a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), todas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Perguntada se os investimentos podem ajudar a baixar o preço do gás natural, insumo de grande relevância para a indústria, usado tanto como fonte de energia quanto como matéria-prima de produtos como fertilizantes, Magda Chambriard respondeu que está trabalhando para isso.

“É um processo que não é imediato. A Petrobras é muito parceira da sociedade brasileira e, da mesma forma que nos combustíveis líquidos, estamos sempre querendo abrasileirar preços e sempre querendo entregar o produto da forma mais conveniente e da forma mais acessível possível”, disse Magda Chambriard.

Abrasileirar é como ficou conhecida a atual política de preços da estatal, que leva em conta fatores como o custo da produção de petróleo no Brasil e a participação da Petrobras no mercado consumidor, e não apenas o preço do barril no mercado internacional. A intenção é não levar para as bombas as flutuações bruscas dos preços internacionais.

QUEIXAS

O preço do gás natural à indústria é motivo de queixa de empresários. Em abril, um estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou o gás brasileiro como um dos mais caros do mundo, chegando a 10 vezes o preço do americano e ao dobro do europeu.

Há menos de 20 dias, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu a redução do preço como condição essencial para a reindustrialização do país. Ele lembrou que a Petrobras é a empresa dominante na atividade. “É preciso equilibrar a força empresarial com a compreensão das necessidades do Brasil”, disse.

ADAPTAÇÃO

Ao comentar o cenário do escoamento de gás natural no País, a presidente da Petrobras explicou que o petróleo vem de muito longe no offshore brasileiro, em referência aos campos marítimos. “São centenas de quilômetros da costa onde esses campos estão produzindo”. Ela detalhou ainda que nem todas as plataformas da companhia foram desenhadas para exportar petróleo para a costa.

“Nossas plataformas recém-encomendadas já resgatam isso. Nosso projeto de [navio-plataforma] Búzios 12 propõe um hub [concentração] de gás para trazer mais gás para a costa. Estamos trabalhando com muito afinco para esse gás chegar em maiores volumes, porque, na verdade, quanto maior o volume que ele chegar, mais barato vai chegar também“, disse a gestora da Petrobras.

Magda Chambriard lembrou que a Petrobras importa gás da Argentina e da Bolívia, mas que trazer gás para o Brasil não é problema. “Problema é trazer gás para o Brasil a preços acessíveis para a indústria brasileira”, disse. A gestora lembrou que a companhia opera em consórcio com a Ecopetrol, estatal de petróleo da Colômbia, em grandes campos de gás no país vizinho. “Mas não sabe ainda se esse gás vai ser suficiente para trazer para o Brasil”, finalizou.

Com informações da Agência Brasil.