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Cid Gomes propõe mais tempo para que dirigentes do BC voltem ao mercado financeiro

Cid Gomes nuncia que o Banco Central, ao invés de atuar em favor da sociedade, passou a operar orientado por interesses do setor financeiro, justamente o segmento que deveria fiscalizar. Foto: Alessandro Dantas/ Agência Senado

O senador cearense Cid Gomes (PSB) apresentou nesta terça-feira (1º) o projeto de lei (144/2025) que amplia de seis meses para quatro anos o período de quarentena a ser cumprido por ex-dirigentes do Banco Central (BC) antes de retornarem ao setor financeiro privado. A proposta, segundo o parlamentar, tem como objetivo reduzir conflitos de interesse e garantir que decisões da política monetária não sejam contaminadas por expectativas de ganhos futuros.

Atualmente, o mandato do presidente do BC é de quatro anos, mas o afastamento obrigatório após a saída do cargo é de apenas seis meses. Para Cid Gomes, esse intervalo é insuficiente diante da autonomia que a autoridade monetária passou a exercer, especialmente desde a sua consolidação durante a pandemia da covid-19.

O que se vendeu como autonomia revelou-se uma transferência de poder sem os devidos freios e contrapesos. O Banco Central pode até ser, formalmente, independente do Governo, mas é, na prática, profundamente dependente do mercado financeiro. E essa dependência não é retórica”, afirmou o senador.

Cid Gomes citou o caso do ex-presidente do BC Roberto Campos Neto, que assumiu na segunda-feira (30 de junho) um cargo de alta direção no Nubank, apenas seis meses após deixar a presidência da instituição. Para o parlamentar, a contratação demonstra a promiscuidade entre interesses públicos e privados.

“Não é coincidência que, ao final de seu mandato, o presidente do Banco Central, responsável por conduzir a política de juros mais restritiva do Planeta, tenha sido contratado por uma das maiores instituições financeiras privadas do País. Isso não é coincidência institucional, é confluência de interesses. No final, quem paga a conta das taxas elevadas, dos cortes no investimento público e do arrocho é sempre o mesmo: a população, que nunca foi convidada para esse jogo, mas que continua sendo escolhida para perder“, criticou Cid Gomes.

O senador defendeu que o BC, ao invés de atuar em favor da sociedade, passou a operar orientado por interesses do setor financeiro, justamente o segmento que deveria fiscalizar.

E o mais grave: tudo isso ocorre dentro da legalidade. Por isso, propomos alterar a legislação e ampliar a quarentena. O que são seis meses para alguém que, em nome do interesse público, traçou a linha entre o que o setor financeiro poderia ou não lucrar — e que, ao fim, é acolhido por esse mesmo setor com salários fixos de centenas de milhares de reais e bônus que, historicamente, superam esse valor?”, questionou Cid Gomes.