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Lula estará na reunião de Cúpula do Mercosul e Brasil vai assumir a presidência do bloco

Foto: Ricardo Stuckert / PR

Na próxima quinta-feira (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai representar o Brasil na 66ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, que acontece em Buenos Aires, a capital da Argentina. O evento reforça os laços dos países do bloco e visa discutir vários temas prioritários, reunindo líderes e associados. A edição ainda marca o encerramento da presidência pro tempore da Argentina e a transferência para o Brasil.

A participação do Brasil no bloco fortalece o compromisso do governo com a integração regional e com a promoção das agendas econômica e social. De acordo com a secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, embaixadora Gisela Padovan, o Mercosul desempenha um papel estratégico na política externa brasileira e na consolidação do desenvolvimento regional.

“Não preciso ressaltar a importância que o Brasil atribuiu ao Mercosul no nosso objetivo maior de promover a integração regional, que é um objetivo constitucional, histórico e atual do presidente Lula e da diplomacia brasileira”, afirmou a secretária.

Principais temas da reunião:

União Europeia
Uma das prioridades do Brasil à frente do bloco é concluir o acordo com a União Europeia. O texto já está finalizado e em processo de tradução para as 27 línguas do bloco europeu. A embaixadora Gisela Padovan destacou o empenho do presidente Lula nas tratativas com líderes como Emmanuel Macron para viabilizar a assinatura.

Tarifa Externa Comum
O Brasil também pretende fortalecer a Tarifa Externa Comum, incorporando os setores automotivo e açucareiro ao regime comercial e atualizando a Lista de Exceções (Letec).

Será lançado o “Mercosul Verde”, com foco na sustentabilidade do comércio e na promoção das credenciais ambientais da região.

Protagonismo
A atuação conjunta dos países fortalece a posição do bloco em negociações internacionais.

“O Mercosul também é importante para os nossos países se posicionarem globalmente. Sozinhos, negociações com grandes blocos seriam mais fragilizadas. Juntos somos mais fortes para nos colocarmos globalmente”, disse Gisela Padovan.

Cooperação e infraestrutura
A segurança pública e o financiamento de projetos regionais também serão prioridades. O Brasil liderará a nova fase do Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (FOCEM 2), com foco em reduzir desigualdades entre os países. A primeira fase do fundo já investiu cerca de US$ 1 bilhão em obras estratégicas.

Gisela contou, ainda, que, no âmbito do FOCEM 1, oito novos projetos brasileiros estão em fase de lançamento.

Participação social
Será reforçado o papel do Instituto de Políticas Públicas em Direitos Humanos (IPPDH) e do Instituto Social do Mercosul (ISM). O Brasil quer fortalecer esses órgãos para ampliar estudos, capacitação técnica e a promoção de direitos sociais e humanos no bloco.

Países associados e PMEs
O Brasil buscará ampliar a participação de países associados, como o Panamá, e fortalecer a agenda econômica com foco nas pequenas e médias empresas, setor com grande presença feminina e mais dificuldades no comércio internacional.

Balança comercial
De janeiro a maio de 2025, o comércio intra-Mercosul movimentou US$ 17,5 bilhões. O Brasil teve superávit de US$ 3 bilhões, exportando principalmente veículos, autopeças e produtos da indústria de transformação. Importou trigo, energia elétrica e veículos de carga.

Sobre o Mercosul

De acordo com a Agência Gov, o Mercado Comum do Sul (Mercosul) foi criado em 1991 para ser um processo de integração regional formado, inicialmente, por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, além de países associados. Em 2024, a Bolívia formalizou a entrada como membro pleno do bloco.

Com mais de três mil normativas abrangendo comércio, saúde, energia e direitos humanos, o Mercosul se consolida como um dos maiores mecanismos de integração regional do mundo. Além de fomentar a paz e a cooperação entre os países, o bloco viabiliza benefícios práticos, como a livre circulação de pessoas, reconhecimento de direitos previdenciários e alinhamento de normas comerciais e sanitárias.

O bloco também possui, além de outras características, uma das mais importantes reservas de água doce do planeta: o Aquífero Guarani, e tem recursos energéticos imensos, renováveis e não renováveis.