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E-commerce: pequenas e médias empresas são responsáveis por 30% do volume movimentado

As micro e pequenas empresas (MPEs) brasileiras viram suas vendas no comércio eletrônico crescerem cerca de 1.200% nos últimos cinco anos, saltando de R$ 5 bilhões em 2019 para R$ 67 bilhões em 2024, segundo dados da terceira edição do Dashboard de Comércio Eletrônico Nacional, lançado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em parceria com a Receita Federal.

Pela primeira vez, o painel apresenta um recorte exclusivo do desempenho das empresas optantes pelo Simples Nacional nas vendas online. O estudo mostra que, apesar do avanço também entre empresas de médio e grande porte, que saíram de R$ 49 bilhões para R$ 158 bilhões no período (alta de 220%), o crescimento das MPEs foi em nível percentualmente menor.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, Uallace Moreira, o e-commerce foi impulsionado principalmente durante a pandemia de covid-19 (2020–2022) e continuou em trajetória de alta, impulsionado pela recuperação econômica do país.

“De um lado, esses números refletem as novas dinâmicas do mercado; de outro, o ritmo crescente de expansão da economia brasileira de 2023 para cá, muito acima daquilo que todos os analistas esperavam. Quando o presidente Lula assumiu o governo, a expectativa de crescimento econômico era de 1,6%; e o PIB cresceu 3,2%, com a taxa de desemprego batendo a mínima histórica”, afirmou Moreira durante a apresentação do dashboard ao GT de Comércio Eletrônico do Fórum de Comércio e Serviços.

“Em 2024, o PIB cresceu 3,4% quando a expectativa de crescimento era 0,9%, e a taxa de desemprego bateu de novo a mínima histórica de 6,6%, com o crescimento da massa de rendimento”, concluiu.

Moreira ainda destacou o crescimento do e-commerce entre 2022 e 2024 – alcançando 28,7% no geral e 76,3% para as MPEs – e citou ainda a valorização do salário mínimo e a isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil como ações que impulsionam as vendas.

OS PRODUTOS

O comércio eletrônico no Brasil movimentou R$ 225 bilhões em 2024, um crescimento de 14,6% em relação a 2023 e de impressionantes 311% em cinco anos. Desde 2016, foram mais de R$ 1 trilhão em vendas online com nota fiscal emitida.

Entre os produtos mais vendidos no comércio eletrônico nacional em 2024 estão:

  • Aparelhos de celular (4,1%),
  • Livros (3,3%),
  • Refrigeradores (2,6%),
  • Televisores (2,2%).

Já entre as MPEs, o ranking muda:

  • Obras de plástico lideram as vendas (2,7%),
  • Seguidas por complementos alimentares (2,1%)
  • E livros (1,6%).

FATOR REGIONAL

O painel também revelou uma diversidade regional nas vendas online.

  • No Rio Grande do Sul, o destaque entre as pequenas empresas foi o vinho;
  • Em Goiás, acessórios para tratores;
  • Minas Gerais se destacou com calçados;
  • O Pará, com purê de açaí;
  • E Alagoas, com frutas.

A concentração regional, no entanto, permanece alta:

  • O Sudeste respondeu por 77,2% das vendas em 2024.
  • Em seguida, aparecem Sul (14,1%), Nordeste (5,5%), Centro-Oeste (2,5%) e Norte (0,6%).

DESCONCENTRAÇÃO DO SETOR

Para enfrentar esse desequilíbrio, o MDIC e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) lançaram iniciativas como o edital E-Commerce.BR, voltado ao fomento do comércio eletrônico nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Na primeira fase, 20 projetos foram selecionados e receberão mentorias. Ao final, nove deles terão apoio financeiro de R$ 380 mil cada, e três avançarão para a etapa de escala em 2026, com um novo aporte de R$ 500 mil.