A diretora de Programa do Ministério da Saúde, Regina Brizolara, anuncia, hoje (27), medidas para fortalecer a atenção especializada no Ceará no âmbito do programa Agora Tem Especialistas. A medida surge para reduzir o tempo de espera dos pacientes, um gargalo histórico e que se agravou com a pandemia de covid-19.
As novidades serão anunciadas durante visita ao Hospital Geral de Fortaleza.
Na ocasião, Regina Brizolara participará do lançamento virtual do Super Centro para Diagnóstico do Câncer, em São Paulo (SP), que funcionará como uma rede nacional integrada de diagnóstico oncológico. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, fará uma videochamada diretamente da capital paulista para Ceará e outros 10 estados, simultaneamente.
PROGRAMA
O Governo Federal lançou, em maio, em parceria com estados e municípios, o Agora Tem Especialistas para ampliar o acesso da população a consultas, exames e cirurgias. A iniciativa possibilita que o Ministério da Saúde utilize a estrutura de saúde do País, seja pública ou privada, para aumentar a capacidade de atendimento nas redes locais.
Para a expansão da oferta de serviços especializados, o Agora Tem Especialistas prevê o credenciamento de clínicas, hospitais filantrópicos e privados para atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) com foco em seis áreas prioritárias: oncologia, ginecologia, cardiologia, ortopedia, oftalmologia e otorrinolaringologia.
A contratação será feita pelos estados e municípios, ou de maneira complementar pela AgSUS e Grupo Hospitalar Conceição.
A medida estabelece ainda que hospitais privados e filantrópicos realizem consultas, exames e cirurgias de pacientes do SUS como contrapartida para sanar dívidas junto à União. Da mesma forma, os planos de saúde poderão ressarcir os valores aos SUS através de atendimento.
Uma das prioridades é aproveitar ao máximo a capacidade da rede pública de saúde, com a realização de mutirões e ampliação dos turnos de atendimento em unidades federais, estaduais e municipais. A estimativa é que, com medidas como essa, seja possível expandir em até 30% os atendimentos em policlínicas, UPAS, ambulatórios e salas de cirurgias por todo o Brasil.
DADOS
As ações unem esforços de toda a rede de saúde e aproveitam a capacidade instalada para atender a uma demanda urgente da população brasileira. São 370 mil óbitos por ano por doenças não transmissíveis relacionados a atraso no diagnóstico, segundo o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS). Dados do INCA apontam que os custos com câncer aumentam em 37% por agravamento devido à desassistência. Há uma necessidade ainda de o país aumentar em mais de 60% as biópsias para o câncer de mama.
Soma-se a este cenário a distribuição desigual dos médicos especialistas no Brasil. Demografia Médica 2025 aponta que esses profissionais estão concentrados no Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro e na rede privada, uma vez que 10% deles atendem exclusivamente SUS.
