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Senado segue Câmara e também derruba decreto do Governo Federal de aumento do IOF

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Cerca de duas horas após ter sido derrubado na Câmara dos Deputados, o decreto do Governo Federal que aumentava alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) também foi rejeitado em votação no Senado Federal, na noite desta quarta-feira (25). A plenária aprovou um projeto de decreto legislativo (PDL) revogatório da medida que estava em vigor.

A votação foi conduzida pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que pautou o decreto logo após a decisão dos deputados. Para o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), o decreto editado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia sido fruto de um acordo político envolvendo os líderes do governo com os presidentes da Câmara e do Senado, e já esvaziava o alcance de uma medida anterior que havia sido revogada pelo próprio governo para atender exigência dos parlamentares.

“Essa Casa vive de cumprir acordos. Foi feito um acordo que está sendo descumprido. Eu não acho isso bom para o Parlamento”, criticou Jaques Wagner.

No Senado, todos os nove senadores do PT registraram voto contrário à derrubada do decreto. O senador Weverton Rocha (PDT-MA) também manifestou voto contrário.

Com ambas as rejeições no Congresso, o Executivo precisará agora definir outras formas de arrecadar ou economizar R$ 20,5 bilhões para cumprir a meta fiscal do orçamento de 2025. Já foram bloqueados ou contingencionados outros R$ 31,3 bilhões em despesas deste ano.

MUDANÇAS

Entre as medidas propostas no decreto do governo, estavam o aumento na taxação das apostas eletrônicas, as chamadas bets, de 12% para 18%; das fintechs, de 9% para 15% a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), igualando-se aos bancos tradicionais; a taxação das Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), títulos que atualmente são isentos de Imposto de Renda.

O decreto fazia parte de medidas elaboradas pelo Ministério da Fazenda, juntamente com uma Medida Provisória (MP) para reforçar as receitas do governo e atender às metas do arcabouço fiscal.

DIVERGÊNCIAS

Para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a maioria da Câmara não concorda com elevação de alíquotas do IOF como saída para cumprir o arcabouço fiscal e tem cobrado o corte de despesas primárias.

Já o governo alega que a medida é necessária para evitar mais cortes em políticas sociais e maiores contingenciamentos que podem afetar o funcionamento da máquina pública. Além disso, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), as regras do decreto corrigiam injustiças tributárias de setores que não pagam imposto sobre a renda.

Com Agência Brasil.