Uma empresa cearense desenvolveu, com o uso da inteligência artificial (IA), um dispositivo que promete ser uma importante ferramenta no combate ao crime no transporte por aplicativo, beneficiando motoristas, passageiros e também entregadores. O CEO da 704 Apps, Betho Costa, foi entrevistado pela jornalista Elba Aquino, diretora-geral do Opinião CE, no podcast Entre Assuntos.
Durante a conversa, o executivo destacou como a IA pode ajudar a combater crimes contra o patrimônio e casos de assédio sexual ocorridos dentro dos veículos.
Betho Costa lembrou que a rotina do motorista profissional, seja taxista ou de aplicativo, é bastante exposta.
“Desde quando começamos com a cooperativa de táxi, lançamos o botão de pânico. Naquela época, servia para relatar comportamentos inconvenientes, como um passageiro alcoolizado. Com o aumento da violência, o botão se tornou obsoleto, pois era acessado pela tela do smartphone”, recordou.
Segundo o CEO, o avanço da criminalidade exigiu a criação de um novo dispositivo, ainda sem o uso da IA, que permitisse acionamento mais rápido, sem a necessidade de manusear o celular. Instalado discretamente na mão do motorista, o equipamento transformava o celular em uma câmera de segurança, com captação de som e imagem transmitidos em tempo real para uma central de monitoramento. Assim, era possível acionar a polícia de forma rápida e evitar crimes contra o profissional.
No início de 2024, Betho Costa foi convidado a apresentar a tecnologia em São Paulo. A Google Cloud Brasil demonstrou interesse e firmou uma parceria para aperfeiçoar o sistema com inteligência artificial. A colaboração resultou no desenvolvimento do Mobility Pro, que utiliza uma IA própria chamada Zafira.IA, também criada no Ceará. A tecnologia beneficiará motoristas, entregadores e usuários, com foco especial na prevenção de crimes sexuais. O funcionamento está previsto para começar em julho deste ano.
A tecnologia permite que o smartphone detecte diálogos hostis e movimentos suspeitos, acionando automaticamente a central de monitoramento e permitindo a criação de rotas de bloqueio. Betho Costa ressalta que, além de identificar situações de risco, o sistema é capaz de entender o contexto. “Não basta ouvir a palavra ‘roubo’, por exemplo, para que a situação seja considerada uma ameaça. O passageiro pode estar apenas reclamando do preço da corrida, dizendo que ‘é um roubo’, e a IA vai saber interpretar o contexto”, explicou.
A Zafira.IA opera por meio de módulos de análise preditiva em tempo real. Instalada diretamente nos celulares de motoristas e passageiros, monitora movimentos bruscos, como sinais de colisões ou manobras perigosas; detecta linguagem hostil, como xingamentos, ofensas racistas ou comportamento agressivo; e aciona o botão de pânico com envio imediato de alerta para centrais de atendimento, além do compartilhamento da localização.
O sistema recebeu elogios da vice-presidente global da Google Cloud, Sharon Prosser, que destacou o impacto positivo na redução de fatalidades entre motoristas que utilizam a tecnologia.
