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Pré-candidato ao Governo, Ciro já atacou principais alianças de seu atual grupo político

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT), cotado como pré-candidato da oposição ao governador Elmano de Freitas (PT) para a corrida ao Governo do Ceará, está cada vez mais próximo de retornar ao PSDB. Com o movimento, ele poderia pavimentar sua candidatura.

Caso a filiação e a postulância se confirmem, aliás, devem estar no palanque tucano integrantes da direita e extrema-direita cearense. Nomes como o ex-deputado federal Capitão Wagner (União Brasil) e o deputado federal André Fernandes (PL) já sofreram ataques públicos do Ferreira Gomes.

Principal liderança do PSDB, o ex-senador Tasso Jereissati também já sofreu críticas de Ciro, após ele deixar o partido em sua primeira passagem pela legenda.

Em reunião na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), em maio, Ciro confirmou aos opositores do governador Elmano que estará alinhado aos parlamentares bolsonaristas e ao grupo liderado por Wagner. À época, conforme informaram ao Opinião CE deputados que participaram do encontro, foi firmado um acordo para “deixar os desentendimentos de lado”.

ATAQUES AOS ATUAIS ALIADOS

Em relação a André, durante a disputa para as eleições municipais de 2024 em Fortaleza, Ciro disse que o bolsonarista representa “estelionato” e uma “maluquice”. “A mentira de que o cara é anti-sistema, sendo um cara do esquema do Bolsonaro, que é rachadinha, roubalheira. Não que ele tenha isso, não que ele esteja na rachadinha e na roubalheira ainda”.

Ainda ao deputado federal, o ex-ministro o confrontou em relação ao seu posicionamento acerca da vacina contra a covid-19. “O André Fernandes estava dizendo que a vacina dava rabo de jacaré, que a pessoa podia virar, preconceituosamente, gay”. À época, conforme Ciro, o povo perderia com Fernandes na Prefeitura de Fortaleza.

Já a Wagner, Ciro já o chamou de chefe de milícia, quando o presidente do União Brasil era ainda vereador da capital cearense. O caso, em 2013, contou ainda com a acusação do ex-ministro de que um suposto grupo da Polícia Militar estaria atuando alinhado ao narcotráfico.

“Embora existam homens sérios e comprometidos, existe uma banda ilícita na Polícia Militar, agindo em afinidade com o narcotráfico. Há ainda uma milícia dentro da PM. Mas estamos achando esta milícia e, um a um, iremos cortar a cabeça desta cobra. O chefe da milícia é esse Wagner, esse vereador picareta”, acusou, à época.

Em resposta, na ocasião, Wagner disse que Ciro deveria estar usando substâncias ilícitas. “Ele deve ter consumido alguma substância para ter perdido o juízo. Ele está falando mentiras e calúnias”, afirmou. O então vereador entrou com processo contra Ciro, que foi condenado em R$ 30,6 mil.

Em 2020, Ciro também foi processado novamente por Wagner após o hoje pedetista se referir ao ex-adversário como “canalha” e “miliciano” em meio à crise na segurança pública com o motim da Polícia Militar. Em dois processos, o ex-ministro foi condenado em R$ 40 mil.

Tasso foi chamado de “assassino” pelo seu antigo e, agora, possível correligionário. “Quando [Tasso] era governador, houve um motim da Polícia Militar, e eu estava junto com o Tasso quando ele mandou atirar nos grevistas. O coronel disse assim: ‘Mas, governador, pode morrer gente’. E ele disse assim: ‘Que morra’”, afirmou Ciro, em 2016. Ainda na ocasião, o ex-ministro completou:

“Tasso Jereissati, meu velho amigo, perdeu qualquer veleidade de espírito público, de amor ao povo, acho que ficou magoado com a derrota e agora é ódio só”.