O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Mariano Grossi, informou, neste último domingo (22), que convocou uma reunião de emergência para a manhã desta segunda-feira (23), com os membros da entidade para continuar o exame das instalações nucleares do Irã.
Segundo a autoridade, durante reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), os ataques aéreos dos Estados Unidos nos locais podem gerar agravamento e ampliação do conflito na região.
Grossi destacou ainda que os técnicos da agência internacional estão no país asiático e devem fazer a inspeção em segurança das instalações nucleares do território para registrar a existência de urânio conforme as regras do acordo de não proliferação de armas nucleares. “Os inspetores da AIEA estão no Irã têm que fazer seu trabalho. E isto exige o cessar das hostilidades para que o Irã possa conduzir as equipes a diferentes lugares, em condições adequadas e necessárias de segurança e proteção”, declarou o diretor argentino.
“O regime de não proliferação [de armas] nuclear, que tem sido o passe de segurança internacional durante mais de meio século, está em jogo”, ressaltou.
Conforme o diretor, é preciso verificar os danos dos ataques norte- americanos a localidades iranianas, que fazem enriquecimento de urânio: a usina nuclear de Fordow; os prédios e túneis de armazenamento de material enriquecido de Isfahan; e a central de combustíveis da usina de Natanz.
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A principal usina iraniana de enriquecimento de urânio, a Fordow, fica dentro de uma montanha. O diretor garantiu que os técnicos teriam condições de avaliar os danos subterrâneos às instalações após o bombardeio. Já o governo de Teerã, capital do Irã, confirmou à AIEA, que os níveis de radiação nas três localidades não aumentaram até o momento.
Criada em 1957, a Agência Internacional de Energia Atômica foi uma resposta aos temores globais após o uso de armas nucleares e atômicas durante a Segunda Guerra Mundial e a disseminação da tecnologia nuclear.
DIÁLOGO
Durante a reunião de urgência, o diretor-geral da AIEA explicou que existe uma possibilidade para regressar ao diálogo e à diplomacia, mas a falta de acordo pode ter graves consequências.
“Se perdermos esta oportunidade, a destruição poderia alcançar proporções impensáveis e o regime mundial de não proliferação [de armas nucleares] desmoronaria e se acabaria”, pontuou Mariano.
Já o secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, na mesma reunião, afirmou que Israel, Irã, Estados Unidos e Oriente Médio necessitam da paz e estes atores precisam voltar à mesa de negociação.
ATAQUES
No último domingo, o Irã atacou, com cerca de 40 mísseis, três cidades israelenses. A investida aconteceu horas após o bombardeio dos Estados Unidos às três principais instalações nucleares iranianas, anunciado pelo presidente americano Donald Trump.
Conforme o serviço de ambulância de Israel, os ataques iranianos ocasionaram pelo menos 23 feridos nas cidades de Nes Ziona, Tel Aviv e Haifa.
Já as Forças de Defesa de Israel informaram que, a partir deste domingo, acontecerão mudanças imediatas nas instruções do Comando da Frente Interna. Entre as medidas anunciadas está a alteração de todas as áreas do país de Atividades Parciais e Limitadas para Atividade Essencial, incluindo a proibição de atividades educacionais, aglomerações e funcionamento de locais de trabalho, exceto para setores essenciais.
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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou ainda no último sábado (21) que os Estados Unidos “ultrapassaram uma importante linha vermelha”.
Segundo ele, a ação representou “um golpe grave à paz e à segurança internacionais”, acrescentando que o Irã responderá “por todos os meios necessários” diante da agressão militar dos EUA.
