Menu

Queimaduras atingem mais de 2,3 mil cearenses em 2024

Conforme dados de ocorrências da instituição, a maior prevalência dos casos está entre pessoas de 40 a 49 anos, faixa etária que registra 423 atendimentos. Foto: Natinho Rodrigues/ Arquivo/ Opinião CE.

Somente em 2024, o Ceará registrou 2.431 vítimas de queimaduras, segundo o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Instituto Doutor José Frota (IJF). Em escala nacional, o número de casos chega a um milhão por ano. Mundialmente, as mortes por queimaduras são estimadas em 180 mil anuais. Outro tipo de lesão que exige atenção especial são as causadas por complicações do diabetes, como úlceras venosas crônicas e lesões por pressão. Estima-se que aproximadamente 10 milhões de brasileiros enfrentem essas condições.

Pouco conhecida, mas essencial no cuidado de pacientes com lesões na pele, a Estomaterapia é uma especialidade da Enfermagem voltada para a prevenção, tratamento e reabilitação de pessoas com feridas complexas. A data comemorativa da profissão é celebrada em 26 de junho. Diante de casos como queimaduras, enxertos, feridas traumáticas, infecções, remoção de tumores, tecidos necrosados, úlceras venosas, abdômen aberto e feridas diabéticas, é o estomaterapeuta o profissional indicado para o manejo correto, promovendo a recuperação e a qualidade de vida dos pacientes. Tecnologias avançadas, como a terapia por pressão negativa, têm sido grandes aliadas nesse processo.

Para a enfermeira estomaterapeuta Larissa Tavares, é importante que esse tema seja colocado em pauta. “Trata-se de uma questão de saúde pública”, frisa. As lesões na pele, segundo a especialista, exigem um tratamento multidisciplinar. Quando associado às melhores tecnologias, o processo de recuperação tende a ser mais rápido. A terapia por pressão negativa, por exemplo, tem contraindicações específicas: pacientes com osteomielite não tratada, vasos sanguíneos ou órgãos expostos e tecido necrótico. Neste último caso, se houver remoção cirúrgica do tecido necrosado, o tratamento pode ser indicado.

Como 26 de junho também marca o Dia Nacional de Prevenção do Diabetes, Larissa Tavares chama atenção para os cuidados com pacientes diabéticos. Isso porque suas feridas podem evoluir com necrose extensa e infecções graves, levando à amputação de membros.

A perda progressiva da sensibilidade nos pés faz com que pequenos traumas passem despercebidos, podendo resultar em úlceras crônicas de difícil cicatrização. A terapia por pressão negativa deve ser aplicada por um profissional especializado no cuidado com feridas, com conhecimento técnico sobre a tecnologia. O ideal é que seja um enfermeiro estomoterapeuta ou dermatológico“, informa Larissa Tavares.

No Ceará, a empresa Health & Safe, com DNA local, trouxe a tecnologia alemã Hartmann para o tratamento de lesões cutâneas. Treinada nesse método, Larissa Tavares informa que o ciclo inicial recomendado da terapia é de 15 dias. A avaliação é feita a cada troca de curativo, levando em conta fatores como nutrição, sono, estado emocional e resposta do corpo. “De forma simples, é um equipamento que exerce pressão negativa sobre a ferida, promovendo a cicatrização”, ressalta.

Ainda segundo a especialista, o tratamento cria um vácuo na lesão, que comprime o material aplicado entre o equipamento e o ferimento. A espuma utilizada permanece em contato direto com a área afetada. Esse processo estimula a formação de tecido de granulação e novos vasos sanguíneos, acelerando a recuperação. “Esse ambiente controlado é fundamental para a cicatrização eficiente”, garante.

O excesso de líquido na ferida, conhecido como exsudato, pode atrasar o processo de cicatrização. A terapia por pressão negativa suga esse fluido em excesso e o direciona para um reservatório conectado ao equipamento. O objetivo é manter a umidade ideal, sem ultrapassar o necessário. A técnica cria um microambiente favorável à regeneração natural do tecido, estimulando o corpo a se recuperar por conta própria.

Larissa Tavares alerta que o exsudato em excesso também pode provocar a maceração das bordas da ferida, quando estas ficam esbranquiçadas e úmidas, dificultando a aproximação dos tecidos. “Por isso existe um tempo ideal para a troca de cada curativo, conforme a tecnologia utilizada. No caso da pressão negativa, a recomendação é realizar a troca a cada 72 horas”, explica. O Ceará conta atualmente com cerca de 250 estomaterapeutas atuando na rede pública e privada.