No tatame da academia Machado BJJ, em Fortaleza, o pequeno João inicia o treino com concentração. O olhar dele acompanha atentamente os movimentos do professor, enquanto os gestos, ainda tímidos, demonstram firmeza. A cada aula, supera um novo desafio. À beira do tatame, a mãe, Márcia d’Alva, observa emocionada. “Ver o João inserido e acolhido em um grupo de crianças neurotípicas me enche o coração. Ele está feliz e radiante. Esse é o objetivo final!”, afirma.
Celebrado nesta quarta-feira (18), o Dia do Orgulho Autista traz à tona relatos como o de João, que evidenciam que a inclusão vai além das leis. Ela começa com escuta, afeto e compromisso, e se consolida com o acesso garantido a direitos fundamentais como saúde, educação, lazer e cultura. No entanto, esse percurso nem sempre é simples. E é nesse cenário que a atuação jurídica se torna indispensável.
A advogada Laís Albuquerque, do Instituto Renan Azevedo, atua diretamente na defesa dos direitos de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). Segundo ela, os desafios enfrentados diariamente exigem mais do que conhecimento técnico. Requerem empatia e persistência.
“A legislação existe, o que falta é cumprimento. Lutamos para garantir o básico: acompanhamento terapêutico, mediador em sala de aula, tratamentos negados por planos de saúde e participação em atividades culturais. São direitos previstos em lei, mas frequentemente desrespeitados“, explica Laís Albuquerque.
O Instituto Renan Azevedo acompanha casos em que a intervenção judicial foi decisiva para assegurar qualidade de vida a diversas famílias. “A ausência do Estado é constante, e o [Poder] Judiciário acaba sendo a única saída. Não é o ideal, mas é onde conseguimos conquistas importantes para quem não pode esperar”, ressalta Laís Albuquerque.
De volta ao tatame, o professor Daniel Machado observa diariamente os efeitos positivos da arte marcial no desenvolvimento das crianças com TEA. “O tatame é um espaço de regras claras, respeito e cooperação. Isso cria um ambiente seguro, onde a criança aprende a confiar, a lidar com limites e a se relacionar com o outro”, conclui.
