O Governo do Ceará, por meio do Programa Meu Celular, entregou, nesta sexta-feira (13), mais um lote de aparelhos recuperados pelas forças de segurança do Estado.
Em abril deste ano, haviam sido recuperados 7.200 aparelhos. Com a entrega de hoje, o número de telefones chegou a 8.112, um acréscimo de 912 aparelhos em dois meses.
A solenidade, na sede da Polícia Civil, no Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), contou com a presença do governador Elmano de Freitas (PT); do secretário da Segurança Pública e Defesa Social, Roberto Sá; do delegado-geral da Polícia Civil, Márcio Gutiérrez; entre outras autoridades.
A iniciativa tem ajudado vítimas de roubo ou furto de celular a recuperarem seu bem e, consequentemente, desestimular esse crime. Conforme o balanço geral do programa, apresentado ainda em abril deste ano, já houve uma queda de 21% nos roubos e 10% no número de furtos de aparelhos telefônicos no Estado.
O Meu Celular é parte do Ceará Contra o Crime, iniciado há pouco mais de um ano.
BALANÇO
O evento foi comandado pelo governador Elmano de Freitas, que destacou o trabalho integrado das equipes, para um bom resultado nos cinco primeiros meses do ano. Para o chefe do Executivo estadual, o mais eficiente a se fazer em casos de roubos ou furtos é o Boletim de Ocorrência.
“É isso que nos estimula ainda mais para poder garantir ao cidadão cearense a tranquilidade, que fez um esforço enorme para ter esse patrimônio e esse celular ser efetivamente devolvido a quem merece, que é quem efetivamente comprou seu aparelho. A polícia já está devolvendo mais de 8 mil celulares, está devolvendo porque a pessoa ou fez o cadastro, ou fez o boletim de ocorrência”, pontuou o governador.
Para que o telefone entre no lote de devolvidos, é essencial que haja a realização do cadastro no Programa. Com isso, é possível ser feita a busca, a apreensão do aparelho e, por fim, a inclusão no Programa.
“O que queremos muito pedir à sociedade cearense é que compre com cuidado o seu celular, dê atenção à origem do seu celular, de quem está comprando, para evitar que tenha que saber depois que o celular foi comprado através de furto ou de roubo e ter que devolver ao verdadeiro dono do celular”, completou.
Conforme o secretário Roberto Sá, dentro das reduções de crimes violentos que o Estado tem registrado em 2025, a de crimes contra o patrimônio foi de 25%. “A prova está aqui, hoje. A gente está diminuindo o furto e o roubo de telefones celulares, entregando mais de 1000 celulares ao longo de um ano”.
“O ideal seria já cadastrar o aparelho após a compra, mas é possível realizar após o roubo ou furto. Já são mais de 40 mil aparelhos cadastros e queremos que esse número cresça. Gostaria de reafirmar esse compromisso das nossas forças de segurança para proteger a vida e o patrimônio dos senhores e senhoras”, lembrou.

O PROGRAMA
Iniciado em abril de 2024, o Meu Celular tem como objetivos conscientizar a população sobre os malefícios da compra de aparelhos com restrição de roubo e furto, além de coibir a prática. A ação também visa interditar judicialmente estabelecimentos comerciais que promovem a circulação desses eletrônicos sem checar a devida procedência.
Para que o telefone seja recuperado, o usuário deve criar um perfil no site oficial do programa, informando seus dados pessoais, a marca, modelo, IMEI e nota fiscal (caso ainda tenha) do aparelho comprado ou já utilizado. Caso seja roubado, furtado ou tenha o aparelho extraviado, o usuário entra no endereço da plataforma e protocola a ocorrência, clicando em um alerta que sinaliza a restrição.
O alerta fica pré-ativado, inicialmente, por 72 horas, simbolizado pela cor laranja. O usuário deve formalizar um Boletim de Ocorrência (BO) com o IMEI, permitindo que o alerta seja convertido para a cor vermelha e, assim, permaneça até que seja recuperado.
MAIS ATENÇÃO
A arteducadora e graduada em Teatro pela Universidade Federal do Ceará, Leticia Cacau, foi uma das beneficiadas pelo programa. Em relato ao Opinião CE, ela lembrou o momento de frustração e a importância da atenção. “Não tem como saber, é estar atento a quem sobe no ônibus, como está o movimento, isso previne o assalto. Eu moro perto de uma delegacia e todos nós fomos, fiquei indignada demais, foi o assalto que eu mais tive vontade de reagir, mas não fiz isso porque, se eu tivesse reagido, poderia nem estar contado essa história”, relatou.
Ela estava voltando do Complexo Cultural Dragão do Mar, no dia 3 de janeiro do ano passado, e foi assaltada no ônibus Tancredo Neves- Centro, por volta das 19h30. O assaltante abordou os passageiros que estavam no coletivo portando uma espécie de facão.
“Eu fiz o B.O no mesmo dia. Há dois dias, eles entraram em contato com a minha mãe […] e ele tá aqui, deu certo”, completou Letícia, ressaltando a importância da iniciativa estadual, mas destacando que a mudança deve vir, em especial, da base, por meio de educação e da cidadania.
“Todo esse crime e essa violência também vêm de uma falta de amparo social a certas camadas da população. Tenho certeza que, se essas pessoas tivessem acesso à educação, acesso ao saneamento básico, oportunidades, saúde mental e apoio institucional, elas não estariam nessa vida de crime. Não adianta só prender as pessoas, se as pessoas não têm educação, consciência cidadã, a gente vai só lotar presídios. Isso é importante para não só tratar isso com armamento, com a polícia”, reiterou a artista.
