O ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, anunciou nesta terça-feira (3) a sua filiação ao União Brasil. A migração partidária do ex-pedetista já era esperada. Ele participou do Café da Oposição na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), onde afirmou sua decisão. Nos bastidores da política cearense, RC já era dado como certo no partido de centro-direita.
Como explicou Roberto, sua decisão foi tomada após um “tempo de reflexão”, em que também ouviu seu grupo político, incluindo o ex-ministro Ciro Gomes (PDT).
Com a nova legenda, ele tem caminho livre para ser candidato ao Governo do Ceará. No PDT, partido ao qual era filiado desde 2015 e que deixou na última quinta-feira (29), o ex-gestor municipal talvez não tivesse legenda, já que a sigla vem se reaproximando do governador Elmano de Freitas (PT), devendo apoiá-lo.
Leia mais | RC diz que conversou com Bolsonaro sobre a necessidade de uma “frente ampla” no Ceará
No União Brasil, Roberto se junta ao ex-deputado federal Capitão Wagner — presidente do Diretório Estadual — como uma das duas principais lideranças da legenda.
Como explicou o dirigente partidário, o ato de filiação deve ocorrer ainda na primeira quinzena de junho. O objetivo é trazer lideranças nacionais do União e do PP — partidos que vão se federar. Dentre os nomes, Wagner citou o presidente do União Brasil, Antonio Rueda; o presidente do PP, o senador Ciro Nogueira; o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil); e o vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto. O partido quer realizar a solenidade na Assembleia.
“Um momento importante para o União Brasil. Recebemos um quadro qualificado: ex-presidente desta Casa, foi prefeito de Fortaleza, considerado um dos melhores prefeitos de capital do Brasil. Então, para nós, é motivo de alegria e satisfação o anúncio da filiação do Roberto”, disse.
Ainda conforme o dirigente, a aceitação dentro do partido foi integral para a chegada de RC. “Deputados federais, estaduais e todos os membros do União Brasil ficaram felizes com o ‘sim’ do Roberto e deverão estar presentes na filiação”, frisou.
Além de RC, há possibilidade de que deputados estaduais ainda no PDT também migrem para a sigla. Na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), quatro pedetistas são aliados do ex-prefeito. Destes, o único que já tem caminho acertado na janela partidária de 2026 é Lucinildo Frota, que deve se filiar ao PL.
Já Antônio Henrique, Cláudio Pinho e Queiroz Filho surgem como possíveis novos quadros do União Brasil. Dos três, Queiroz é o mais próximo de RC.
No Legislativo cearense, o União já possui quatro deputados. São eles: Felipe Mota, Firmo Camurça, Heitor Férrer e Sargento Reginauro. Firmo é o único que está na base de Elmano.
OPOSIÇÃO EM 2026
Para 2026, a oposição deve estar unida em uma única coligação. Para que o União Brasil esteja na coligação oposicionista, no entanto, ainda é preciso alinhar o posicionamento da nova federação União Progressista, entre a sigla e o PP. No Ceará, o partido que vai se federar com o União faz parte do grupo governista, contando, inclusive, com o secretário das Cidades, Zezinho Albuquerque.
A expectativa é de que a nova federação esteja na oposição. A nível nacional, o presidente do PP é o senador Ciro Nogueira, de oposição ao presidente Lula (PT) e alinhado com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O posicionamento em Brasília deve repercutir nos estados.
Neste cenário, além do União Brasil, com Wagner e, agora, RC; o PL, do deputado federal André Fernandes e do deputado estadual Carmelo Neto; e o Novo, do senador Eduardo Girão, são partidos que devem estar na coligação da oposição. O ex-governador Ciro Gomes — ainda no PDT — também tem participado dos debates, presente, inclusive, em um “Café da Oposição” na Assembleia.
Além de RC e Wagner, outros nomes cotados como pré-candidatos ao Palácio da Abolição são o próprio Ciro — apesar de já ter negado possuir interesse —, Girão, o deputado federal Moses Rodrigues (União Brasil) e o prefeito de Juazeiro do Norte, Glêdson Bezerra (Podemos).
Já o PSDB é uma incógnita, já que a legenda está firmando uma fusão com o Podemos. A situação é semelhante à que ocorre com a federação União Progressista, já que, enquanto os tucanos são oposição, o Podemos é da base de Elmano — apesar de Glêdson ser oposicionista.
