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Barragem do Cedro pode ganhar redesenho e potencializar turismo na região

Primeiro grande açude do Brasil, a barragem do Cedro poderá ganhar um redesenho e potencializar os atrativos turísticos e históricos do município de Quixadá. Hoje, a barragem é de responsabilidade do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), do Governo Federal, mas poderá ser inserida em uma parceria para alavancar sua viabilidade comercial.

O prefeito Ricardo Silveira (PSD) lembrou, durante entrevista ao Opinião CE publicada em fevereiro deste ano, que o Município já teve a oportunidade de gerenciar o Cedro e seu entorno, mas que o assunto “não foi tratado como deveria”, com a barragem voltando a ser gerenciada pelo Dnocs.

Segundo ele, o objetivo é “resgatar” o cartão-postal do Município. Silveira ressaltou que a represa, nos dias de hoje, funciona mais como um ponto turístico do que como uma obra para mitigar os efeitos da seca — primeira funcionalidade do açude, que teve a construção iniciada em 1890 e tem capacidade de acumular 125 milhões de m³ de água.

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Em 2021, ainda em seu primeiro mandato, Silveira solicitou ao órgão federal que a gestão voltasse à Prefeitura, com o intuito de firmar uma Parceria Público-Privada (PPP). No entanto, segundo ele, a resposta do órgão federal não avançou com a ideia. “Agora, está se redesenhando um novo momento de diálogo com eles.”

O prefeito afirmou que o assunto será tratado em Brasília e que uma eventual PPP “seria ideal para comandar e organizar o Cedro”, já que a operação teria um poder de investimento e “toda uma expertise na preservação” do açude centenário.

HISTÓRICO

O açude foi construído no contexto das constantes estiagens da época, o que obrigava o Governo Imperial a se precaver diante dos cenários de seca. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Barragem do Cedro, com sua parede em arco de alvenaria de pedra, foi a primeira grande obra hidráulica moderna do continente sul-americano e uma das pioneiras obras do seu tipo e do seu porte no mundo.

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Em meados de 1877, o Ceará foi escolhido por uma comissão criada pelo imperador Dom Pedro II para abrigar o projeto audacioso que previa uma barragem no curso do rio Sitiá, na região do Sertão Central. A ideia era acumular água e aliviar a sede das famílias, além de ofertar condições salubres para os animais. A ordem de construção foi dada por Dom Pedro II, em decorrência do grande impacto social provocado pelas secas entre os anos de 1877 e 1879.

Foto: Antonio Rodrigues

Na época, o Governo Imperial solicitou ao engenheiro Ernesto Antônio Lassance Cunha e a outros técnicos estudos prévios. Já em 1882, o primeiro projeto para a construção do reservatório foi feito pelo engenheiro britânico Jules Jean Revy, que coordenou a realização de obras preliminares, como a construção de uma estrada de acesso e a instalação das máquinas.

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Às vésperas do início das obras, ocorreu, no entanto, a Proclamação da República e, consequentemente, a retirada de Revy. Apenas no ano de 1889, o projeto voltou a ganhar visibilidade e, após algumas modificações realizadas pelo engenheiro Ulrico Mursa, as obras foram finalmente iniciadas, em 15 de novembro de 1890.

O monumento teve suas obras concluídas, após várias interrupções, em 1906, já sob coordenação do engenheiro Bernardo Piquet Carneiro, que assumiu a direção da construção em 1900. Conforme estudiosos do tema, a construção do Cedro marcou o início dos projetos de outras barragens pelo governo, voltados à mitigação dos efeitos das secas no semiárido nordestino.