Menu

Cerca de 80 criminosos cearenses na Rocinha comandaram mais de 1 mil mortes no Ceará nos últimos dois anos

Quatro fuzis, duas pistolas, um revólver, um fuzil de airsoft, munição e drogas foram apreendidos na operação. Foto: Reprodução X

Entre 80 a 100 criminosos cearenses, filiados à facção Comando Vermelho, estavam escondidos em uma mansão da Dioneia, no alto da Rocinha, no Rio de Janeiro, comandando mais de 1.000 homicídios no Ceará nos últimos dois anos. A informação foi apurada a partir de uma operação entre Ministérios Públicos e as Secretarias de Segurança Pública do Rio de Janeiro e do Ceará. No último sábado (31), após os policiais cumprirem 29 mandados de prisão e 14 de busca e apreensão, cerca de 400 criminosos fugiram para a mata da Rocinha, trocando tiros com os agentes, o que resultou em um policial baleado no pescoço, que foi levado ao Hospital Miguel Couto e está fora de perigo.

Durante a operação, foram apreendidos quatro fuzis, duas pistolas, um revólver, um fuzil de airsoft, munição e drogas ainda em fase de contabilização. Um dos mandados de prisão foi cumprido. Neste domingo (1º), as buscas pelos criminosos continuam e estão sendo acompanhadas pelos profissionais, incluindo o titular da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Ceará (SSPDS), Roberto Sá, que está no Rio de Janeiro monitorando a situação em parceria com o secretário de Segurança do Rio de Janeiro, Victor Cesar Carvalho dos Santos.

A operação ainda encontrou a base da cúpula da facção, que se trata de uma mansão localizada na Rocinha, com duas piscinas aquecidas, cascata e área gourmet. Os investigadores identificaram uma espécie de alojamento para membros da facção que chegavam do Nordeste. A casa também possui uma academia com equipamentos novos e um deck panorâmico, que seria do traficante cearense Anastácio Paiva Pereira, conhecido como Doze ou Paizão. O criminoso é um dos chefes de uma facção que comanda o tráfico de drogas no município de Santa Quitéria.

Conforme o procurador-geral de Justiça do Rio, Antonio José Campos Moreira, foram registrados casos em que os infratores esquartejavam seus inimigos com motosserras e ainda jogavam futebol com suas cabeças.

OPERAÇÃO NA ROCINHA

A operação foi realizada por 400 policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e de outras unidades para garantir a ação, que foi monitorada por drones e helicópteros que enviavam imagens para o Quartel-General da PM, no Centro. A articulação foi monitorada pelos promotores de Justiça e pelos chefes das secretarias de segurança dos dois estados, além do governador do Rio, Cláudio Castro.

A investigação foi realizada pelos Grupos de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) dos dois estados. Mobilizando cerca de 80 policiais, a operação foi deflagrada na manhã do sábado pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Rio (CSI/MPRJ).