A partir desta quinta-feira (29), o Ceará já pode comercializar rebanho e produtos cárneos em todo o mundo. Isso porque o território cearense foi reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como Livre de Febre Aftosa sem Vacinação. O status foi entregue durante a 92ª Sessão Geral da OMSA, que aconteceu durante esta semana em Paris, na França. O certificado foi entregue a Marcelo Mota, diretor do Departamento de Saúde Animal (DSA) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O resultado é fruto do trabalho da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri) e seus parceiros, realizando há anos ações que visaram impedir que a Febre Aftosa afetasse o rebanho cearense. Para Elmo Aguiar, presidente da entidade, a posição é de extrema importância, em especial para os produtores do Ceará.
“Se nós não comercializamos com o exterior, a partir de agora vamos ter essa oportunidade, uma grande conquista para a economia do Ceará, especialmente para os nossos produtores que serão os grandes beneficiários dessa conquista. Outras virão, mas essa já é nossa”, comemorou Elmo Aguiar.
Como reitera o diretor de Sanidade Animal da Adagri, Amorim Sobreira, que esteve presente no evento, o reconhecimento representa “um ganho para todo produtor, tanto para quem faz o abate do gado como quem faz a venda dos animais, principalmente para quem trabalha com genética porque os animais que são criados em uma zona livre de febre aftosa sem vacinação têm um valor agregado. Todo criador sai ganhando”, completa.
Além do Ceará, mais 20 estados brasileiros e o Distrito Federal receberam o status de Zona Livre de Febre Aftosa sem Vacinação. Antes disso, apenas Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Acre, Rondônia e partes do Amazonas e Mato Grosso possuíam o reconhecimento internacional.
A febre aftosa é uma doença viral altamente contagiosa, que pode acometer animais domésticos e selvagens de cascos partidos. Os principais sintomas são febre alta e feridas na boca, nas tetas e nas patas, o que pode causar dificuldade para andar e se alimentar.
HISTÓRICO
No Ceará já são mais de 21 anos de Campanhas de Vacinação contra a Febre Aftosa. Conforme o coordenador do Programa Estadual de Vigilância para a Febre Aftosa da Adagri, Joaquim Sampaio, foram duas campanhas anuais, de 2003 a 2023, e a última delas aconteceu de forma emergencial em abril de 2024, que garantiu ao Ceará o status nacional de Livre de Febre Aftosa sem Vacinação, pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em maio do mesmo ano.
“Esse é um momento ímpar, depois de muita luta ao longo dos anos, convencendo o criador para que vacinasse seu rebanho. Hoje chegamos no ponto culminante desse trabalho. O Ceará e todo Brasil é livre de Febre Aftosa”, pontuou Joaquim Sampaio.
São parceiros da Adagri o Mapa, por meio da Superintendência Federal de Agricultura (SFA/CE), as Secretarias do Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE) e do Desenvolvimento Agrário do Ceará (SDA), a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec/Senar), a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Ceará (Fetraece), a Associação dos Municípios e Prefeitos do Estado do Ceará (Aprece) e Secretarias de Agricultura municipais.
