O Observatório da Indústria do Ceará apresentou, durante o IX Encontro Nacional de Economia Industrial (Enei), um artigo inédito que revelou os principais polos de inovação do Estado a partir da análise de dados espaciais. Intitulado Empresas Inovadoras e Habitats de Inovação: uma análise espacial dos clusters inovadores do Ceará, o estudo busca compreender como a inovação se distribui geograficamente no território cearense e qual o papel dos habitats de inovação nesse processo.
Utilizando a metodologia de Análise Exploratória de Dados Espaciais (Aede), o estudo encontrou padrões de concentração, polarização e transbordamento da inovação no território. Com isso, foram identificados três principais polos inovadores no Ceará, situados na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), em Sobral e na Região Metropolitana do Cariri, e os efeitos em áreas vizinhas.
“Os resultados revelam padrões espaciais distintos entre as regiões metropolitanas do Estado”, afirma David Guimarães, especialista em Inteligência Competitiva e um dos autores da pesquisa, apontando a assimetria do ecossistema inovador cearense.
Segundo ele, a RMF apresenta efeitos claros de transbordamento, especialmente em Eusébio e Maracanaú. Sobral e a Região Metropolitana do Cariri, formada pelos municípios de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha (também conhecida por Crajubar) permanecem como polos isolados ou com baixa articulação regional.
REDES DE COLABORAÇÃO
A pesquisadora de Inteligência Competitiva do Observatório da Indústria do Ceará e coautora do estudo, Aline Mota, destaca que, mesmo com um número expressivo de habitats de inovação no Estado, o impacto limitado em municípios vizinhos aponta para a necessidade de uma atuação mais estratégica dos ambientes de governança.
“A descentralização da inovação no Ceará exige mais do que a instalação de habitats. Essa lacuna entre infraestrutura e atração de empresas inovadoras é particularmente relevante para regiões do Interior que possuem vocação produtiva, mas carecem de mecanismos eficazes de conexão com os centros de conhecimento”, ressalta Aline Mota.
Pesquisador do Observatório da Indústria do Ceará e também coautor do artigo, Anderson Medeiros reitera a importância de fortalecer as redes de colaboração entre os diferentes atores do ecossistema inovador. “Recomenda-se a criação de redes de colaboração e mecanismos que integrem os ambientes inovadores às necessidades do setor produtivo local”, diz.
Laís Veloso, gerente de Inteligência Competitiva do Observatório da Indústria do Ceará, explica que a pesquisa surgiu de um trabalho realizado pela instituição para entender como a inovação se distribui espacialmente em um estado da Região Norte, avaliando a correlação entre a presença de habitats de inovação e empresas inovadoras.
Para Laís Veloso, a proposta do trabalho dialoga diretamente com a agenda da Nova Indústria Brasil e do Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste, ambos voltados para a reindustrialização e descentralização produtiva.
“Ao revelar como o conhecimento científico pode embasar políticas públicas e orientar investimentos, o trabalho reafirma a ciência como instrumento de transformação territorial. A análise do caso cearense oferece subsídios valiosos para outras regiões do país que buscam promover inovação de forma equitativa e conectada ao desenvolvimento regional sustentável”, pontua Laís Veloso.
DEBATE
Além da participação na programação científica do IX Enei, a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e o Observatório da Indústria do Ceará estiveram presentes na solenidade que marcou o início do evento, na sede do Banco do Nordeste (BNB), em Fortaleza.
Representando Ricardo Cavalcante, presidente da Fiec, Laís Veloso integrou a mesa de abertura do encontro, ao lado do presidente da Abein, Renato de Castro Garcia; do presidente do BNB, Paulo Câmara; do presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli; e do superintendente de Política Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Fabrício Silveira.
“Eventos como este são fundamentais para o nosso país. Falar sobre os desafios e as oportunidades para o desenvolvimento industrial e tecnológico, especialmente aqui no Nordeste, é uma maneira de construir caminhos mais sólidos e sustentáveis para o nosso futuro”, afirmou Laís Veloso.
