A Universidade Federal do Ceará (UFC) teve 20 projetos aprovados no Programa de Bolsa de Produtividade em Pesquisa e Estímulo à Interiorização e Inovação (BPI), da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap).
O programa prevê pagamento, durante dois anos, de bolsa de produtividade no valor de R$ 1,2 mil para pesquisadores-doutores vinculados a instituições de ensino superior ou instituições de pesquisa localizadas em municípios do Interior, além de bolsas de iniciação científica no valor de 700 reais para até três alunos por projeto. O financiamento também inclui adicional de bancada de até R$ 36 mil ao longo desses dois anos, voltado ao custeio de despesas como materiais de consumo, equipamentos, peças, softwares, serviços de instalação, recuperação e manutenção, material bibliográfico, diárias e passagens.
Com orçamentos entre 80 e 115 mil reais, os projetos da UFC devem captar um investimento de mais de R$ 1,5 milhão para os campi do Interior. Esse êxito contribui não apenas para consolidar a expansão da universidade, mas para o aumento da produção científica, tecnológica e de inovação de qualidade no Ceará, de maneira descentralizada, contribuindo para o desenvolvimento social e econômico em todo o estado.
As propostas chamam atenção pela diversidade de temas e de áreas do conhecimento. Há desde pesquisas nas chamadas ciências duras, como áreas diversas de Engenharia, Matemática, Bioquímica, Computação, Economia, Música e Psicologia. Em todas elas, é unânime o reconhecimento dos pesquisadores sobre a importância do programa.
“Essa bolsa é fundamental, temos os congressos nacionais e internacionais, por exemplo, e sem suporte a gente não tem como pagar passagem, inscrição, hospedagem, alimentação. E a difusão da Ciência acontece exatamente nos congressos”, comenta a professora Alesandra de Araújo Benevides, do curso de Ciências Econômicas do campus de Sobral.
A mesma avaliação é feita pelo professor Antônio Emerson Barros Tomaz, dos cursos de Ciência da Computação e Sistemas de Informação do campus de Crateús. “O financiamento garante recursos humanos qualificados [bolsista de iniciação científica], meios materiais e tempo dedicado pelo pesquisador para que a pesquisa avance de forma consistente”, resume.
Para o professor Francisco Pablo Huascar Aragão Pinheiro, do curso de Psicologia do campus de Sobral, o BPI tem impactos ainda mais amplos.
“As bolsas têm um papel central, não só para engajar os alunos na pesquisa, mas para garantir sua permanência no curso. A maior parte dos nossos discentes [alunos] vem de escolas públicas e tem dificuldades financeiras para se manter na universidade. Muitos também vêm de outras cidades e precisam lidar com os custos de moradia ou transporte. Há dificuldades, ainda, para se obter recursos para custeio de atividades acadêmicas como viagens a congressos, revisão e tradução de artigos. Nesse sentido, o financiamento de projetos se mostra essencial“, explica Pablo Huascar.
A professora Laís Cristina Barbosa Costa, do curso de Engenharia Civil do campus de Russas, ressalta a importância desse tipo de investimento em campi do Interior. “Existem laboratórios de referência na UFC, localizados em Fortaleza. Então, acaba que esse programa, sobretudo com o adicional de bancada, oferece recursos para a gente poder consolidar nossas próprias infraestruturas“, avalia.
