O governador Elmano de Freitas (PT) afirmou, em entrevista ao Canal Livre, da Band, não ser possível uma aliança com o ex-ministro Ciro Gomes (PDT). Segundo ele, Ciro “escolheu ser aliado prioritário do bolsonarismo no Ceará”. As falas foram ao ar neste domingo (25).
“Não temos como estar juntos. Ele resolveu ser aliado prioritário do bolsonarismo no Ceará. Ele fez isso na eleição de Fortaleza. No segundo turno, apoiou o candidato do bolsonarismo a prefeito [André Fernandes] e acaba de anunciar apoio ao senador do Bolsonaro no Ceará [Alcides Fernandes] para, talvez, ter em troca o apoio do bolsonarismo a ele ou a quem ele apoie para o Governo do Estado”, disse Elmano.
O governador cearense diz, ainda, “lamentar muito” pelo rumo de Ciro. “A trajetória dele não merecia isso”, disse, comentando, também, a relação entre Ciro e Cid Gomes, rompidos politicamente.
“Do ponto de vista familiar, espero que os irmãos se entendam. Pelo que sei, eles têm buscado conversar. Politicamente, minha relação com Cid é muito boa. Ele tem reafirmado que apoia nossa possível candidatura à reeleição. Eu o conheço há anos, ele tem muita palavra. Tenho a tranquilidade de que estamos e estaremos juntos”, considerou.
CIRO
No último dia 19, o deputado federal André Fernandes (PL) chegou a elogiar Ciro antes de reunião com nove vereadores da oposição em Fortaleza. O café da oposição na Câmara de Fortaleza (CMFor) ocorreu com o intuito de discutir a articulação dos opositores para as eleições gerais de 2026. Fernandes disse que o momento é de construir uma chapa única da oposição para o pleito. Ele afirmou ainda que Ciro é “preparado” e “inteligente”, e que não teria problema em apoiá-lo.
O parlamentar frisou ainda que é preciso que o grupo deixe “o ego de lado”, com o objetivo de “tirar o PT do poder”.
Também neste mês, em reunião na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), o ex-ministro confirmou aos opositores do governador Elmano que estará alinhado aos parlamentares bolsonaristas e ao grupo liderado pelo ex-deputado federal Capitão Wagner (União Brasil). Conforme informaram ao Opinião CE deputados que participaram do encontro, foi firmado um acordo para “deixar os desentendimentos de lado”.
Ciro desponta como pré-candidato a três cargos majoritários: Governo do Ceará, Senado e Governo Federal.
A aproximação de Ciro com o grupo vem gerando reações. Seu irmão, Cid, em entrevista na última semana a uma rádio de Sobral, disse criticou a decisão de Ciro. O senado afirmou que uma eventual candidatura do irmão ao Governo do Ceará seria um “terrível constrangimento”, talvez o maior da sua vida. “Essa coisa de se aliar ao que há de mais atrasado na política do Ceará, acho que o fim não justifica os meios. Sempre achei isso”, afirmou.
