O deputado estadual Felipe Mota (União Brasil) afirmou que pequenas empresas produtoras de leite no Sertão Central estão sendo prejudicadas. Em 2023, o governador Elmano de Freitas (PT) assinou um decreto que isentou a cadeia do leite de ICMS.
A medida, conforme o parlamentar cearense, foi benéfica para uma grande empresa, mas tem dificultado a vida dos pequenos produtores, que, de acordo com ele, têm as negociações atrapalhadas por conta da companhia que prepondera na região.
“Em 2023, pedimos a isenção da cadeia do leite. O governador Elmano de Freitas isentou, zerou a cadeia do leite, para uma grande empresa, que é vista como a esperança do Sertão Central, dificultar e prejudicar a vida do pequeno agricultor”, afirmou.
O legislador, de oposição a Elmano, disse que foi procurado por uma cooperativa de agricultores do município de Mombaça devido a dificuldades de negociação com a grande empresa. “Os produtores estão em busca de representatividade, porque a empresa que produz o leite em pó, o leite condensado e tem grandes condições e representatividade no Sertão Central está dificultando qualquer negociação”, assinalou.
O deputado enfatizou a importância de buscar negociações junto à Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) e demais segmentos e sindicatos da cadeia leiteira. “É preciso ver o lado do pequeno produtor, que se arrasta de madrugada com cordas nos ombros, vive com dificuldade e agora está sendo prejudicado por conta da precificação. A falta de concorrência prejudica o mercado”, afirmou.
GOVERNISTAS CONCORDAM
Em aparte, o deputado estadual De Assis Diniz (PT), governista e ex-secretário da SDA, reconheceu a importância de buscar diálogo e negociação entre a empresa e os produtores. “Essa situação nos preocupa muito”, pontuou.
“Esse é um período em que temos margem de ter uma pequena lucratividade e está sendo feito o oposto, limitando a precificação e a produção. Quem trabalha com leite tem custos fixos e precisa de mão de obra qualificada. O Ceará produz mais de 1 bilhão de litros de leite no mês, e não podemos ter esse tratamento de uma empresa. Não podemos ter esse monopólio”, frisou.
O deputado Missias Dias (PT) sugeriu debater o assunto na Comissão de Agropecuária da Casa, colegiado que preside, com a presença dos produtores e segmentos de representantes agropecuários. “Vamos botar esse assunto na mesa para ser solucionado. Não podemos ficar reféns de uma empresa”, disse.
