Na última terça-feira (20), ao lado de outras personalidades e entidades que contribuem para o desenvolvimento da cultura no Brasil, o cearense Espedito Veloso de Carvalho, mais conhecido como Mestre Espedito Seleiro, recebeu a Ordem do Mérito Cultural (OMC), a maior honraria pública do setor cultural brasileiro. A cerimônia de entrega aconteceu no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro (RJ), com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da ministra da Cultura, Margareth Menezes.
Artesão cearense, mestre Espedito Seleiro é referência pelo seu trabalho único de décadas com uso do couro, perpetuando saberes tradicionais do sertão do Ceará em sandálias, vestuário e mobiliário. O artista esteve presente na solenidade, que marca também a reinauguração do edifício histórico, fechado há 10 anos, e celebra quatro décadas do Ministério da Cultura (MinC) com o tema “40 anos do MinC: Democracia e Cultura”. Neste ano foram condecoradas 112 pessoas e 14 instituições.
“A volta da Ordem do Mérito Cultural é um marco importante, pois valoriza aqueles que constroem a nossa cultura com dedicação e talento. É o reconhecimento da cultura enquanto alicerce para a democracia e para a construção de um país mais inclusivo e diverso”, destacou a ministra da Cultura, Margareth Menezes.
Outros nomes como a atriz carioca Camila Pitanga; o artista visual baiano Clóvis Júnior; o escritor curitibano Dalton Trevisan (in memoriam); e o escritor e ativista paraense Daniel Munduruku foram honrados. A atriz paulistana Bete Mendes e a compositora paraense Dona Onete também receberam a honraria de Comendador, a segunda maior concedida na cerimônia.
ESPEDITO CELEIRO
Nascido em 29 de outubro de 1939 em Arneiroz, cidade do Sertão dos Inhamuns, Espedito Seleiro representa uma figura importante do Nordeste brasileiro. Reconhecido pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará como um dos Tesouros Vivos da Cultura, ele também é um Mestre da Cultura, por ser difusor de tradições, da história e da identidade do interior cearense, atuando no repasse de seus saberes e experiências às novas gerações.
Toda sua arte começou a ser aprendida quando ele ainda era criança, na década de 1940. Aprendeu tudo ao ver o pai, Raimundo Pinto de Carvalho, que era vaqueiro e agricultor, fabricando selas e trajes dos vaqueiros sertanejos (chapéu de couro, gibão, peitoral, luvas, entre outras peças).
“Trabalhar com o artesanato, com o couro, foi o que Deus me deu, e é o que eu acho bom. Não existe preguiça, falta de coragem, nem de memória para fazer o que eu quero. Toda a família está envolvida; neto, filho, sobrinho, primo, irmão; e algum vizinho que está desempregado, não tendo o que fazer, eu digo: venha para o couro”, diz Espedito.
Os padrões de cores, formatos, texturas e linhas únicas de Espedito já estiveram presentes em eventos de moda, exposições, novelas, filmes, livros, reportagens, pesquisas, e muitos outros meios.
VOLTA DA ORDEM
A retomada da OMC, suspensa desde 2019, contou com ampla participação popular durante 10 dias. O MinC recebeu 11.318 contribuições via formulário digital, envolvendo nomes de indivíduos, instituições e coletivos de todo o Brasil. Os segmentos mais indicados foram artes cênicas (26,5%), música (22,1%), literatura (12,2%), audiovisual (9,9%) e culturas urbanas (8,5%). As sugestões foram analisadas por uma Comissão Técnica e pelo Conselho da Ordem.
A OMC foi instituída pela Lei n.º 8.313, de 1991 e a primeira entrega foi realizada em 1995, sendo suspensa a partir de 2019. Tem por finalidade condecorar personalidades, órgãos e entidades públicas e privadas, nacionais e estrangeiras, que tenham se distinguido por suas relevantes contribuições prestadas à cultura brasileira.
