Ouvir e dançar um forró até suar é um dos hábitos culturais mais característicos de Fortaleza. É o que releva a mais recente edição da pesquisa Cultura nas Capitais. O estudo foi apresentado na última quinta-feira (15), na Biblioteca Pública Estadual do Ceará (Bece), no Seminário Cultura nas Capitais.
Atrás apenas de Teresina e de João Pessoa, a capital cearense é a cidade onde mais pessoas citam o forró como favorito. Foram 39%, contra 16% da média nacional. O gênero musical ocupa um espaço de muito apreço pelos moradores.
Para Jean Santiago, musicista cearense e integrante da banda natural de Fortaleza “Trio Forrozim”, na qual é vocalista e zabumbeiro, o forró representa um aspecto importante para a identidade cultural fortalezense.
“O forró tem uma forte importância para todos nós, sendo uma das principais manifestações culturais que une as pessoas. Essa interação mexe não só com a parte musical, mas no geral. Falamos de poesia, de dança, de conhecer pessoas e unir culturas. Luiz Gonzaga foi um grande responsável por levar o forró pé-de-serra para o mundo através do rádio e do disco, na época”, diz o artista Opinião CE.
Segundo ele, o forró se mantém forte, mas, infelizmente, tem sofrido queda a cada dia, com poucos bares e equipamentos culturais que incentivam e focam no gênero. “Não devemos deixar isso morrer. O forró foi reconhecido como Patrimônio Imaterial da Cultura Brasileira e o Dia Nacional do Forró é um momento para celebrar a difusão dessa cultura e dos músicos que fazem desse ritmo uma forma de movimentar a cidade, inclusive nas festas juninas”, continuou o músico, que veio do ciclo de quadrilhas juninas, como a conhecida “Zé Testinha”.
O musicista destaca que, embora o forró seja um espaço de interação, de troca de contatos, encontros de pessoas e artistas da cidade, com a forte presença de forrozeiros em Fortaleza, existe a dificuldade de os artistas acessarem editais de Cultura, por conta da burocracia, documentações e seleções. Ele também lamenta a ausência de programação mais forte voltada para o gênero.
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PATRIMÔNIO CULTURAL
Em 13 de dezembro de 2022, as Matrizes Tradicionais do forró tornaram-se Patrimônio Cultural do Brasil, reiterando o impacto e relevância da manifestação para o país. Dez anos antes, a Associação Cultural Balaio do Nordeste, da Paraíba, já havia solicitado a sua patrimonialização.
O projeto foi efetivamente iniciado em maio de 2019, por meio de uma cooperação entre o Iphan e a Associação Respeita Januário, lançado durante o Seminário forró e Patrimônio Cultural, realizado no Centro Cultural Cais do Sertão e no Paço do Frevo, em Recife. Já em novembro de 2023, Lula (PT) promulgou a Lei que oficializou o forró como uma manifestação cultural nacional do Brasil.
METODOLOGIA
Na edição deste ano da pesquisa Cultura nas Capitais foram ouvidas 19.500 pessoas, moradoras de todas as capitais brasileiras, dos 26 estados brasileiros, além de Brasília, com idade a partir de 16 anos, de todos os níveis socioeconômicos. A rodada de perguntas ocorreu entre os dias 19 de fevereiro e 22 de maio de 2024. As pessoas foram abordadas pessoalmente, em pontos de fluxo populacional.
Os pesquisadores foram distribuídos por 1.930 pontos de fluxo (entre 40 e 300 por capital), em regiões com diferentes características sociais e econômicas. Os entrevistados respondiam a até 61 perguntas, além das relacionadas a características sociais e econômicas (como escolaridade, cor da pele, etc.). O instituto responsável pelo estudo é o Datafolha.
Além da pergunta sobre renda, a pesquisa também adotou o Critério Brasil de Classificação Econômica, um instrumento de segmentação econômica que utiliza o levantamento de características domiciliares (presença e quantidade de alguns itens domiciliares de conforto e grau de escolaridade do chefe de família) para diferenciar a população em classes: A, B, C, D ou E (Fonte: ABEP – Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa).
JLEIVA CULTURA E ESPORTE
Jleiva é uma consultoria especializada em concepção, planejamento, execução, análise e disseminação de dados e informações sobre o setor cultural no Brasil. Conduz estudos, mapeamentos e benchmarking para empresas privadas, instituições públicas e organizações sociais com atuação em cultura e esporte, como Fundação Itaú, Fundação Roberto Marinho, Vale, British Council, Vale, Nike, Museu do Amanhã e Instituto Goethe. Desde 2010, realiza pesquisas de hábitos culturais, consolidando-se como referência nessa área.
