O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou, nesta terça-feira (20), a extraordinária contribuição da cultura para a defesa da democracia no Brasil. Ao participar da entrega da Ordem do Mérito Cultural, no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro-RJ. Uma das 112 pessoas agraciadas com o Grau Grã-Cruz, a maior honraria (da Ordem do Mérito Cultural), foi a socióloga Rosângela Lula da Silva, a Janja, primeira-dama do País.
Lula agradeceu aos artistas brasileiros. “Vocês não desistiram nunca e resistiram sempre. E graças a pessoas como vocês, a gente consegue manter a democracia capengando, mas a democracia andando”. Segundo ele, a arte e a cultura serão sempre alvos prioritários dos autoritários de plantão. Ele lembrou que o Ministério da Cultura (MinC) sobreviveu a tentativas de esvaziamentos e sofreu um duro golpe durante quatro anos, quando foi extinto.
“A arte e a cultura foram demonizados e os artistas foram tratados como inimigos do povo quando são, na verdade, a mais completa tradução da alma do nosso povo. Os saudosos do autoritarismo tentaram matar o MinC porque queriam matar a cultura, mas o MinC está de volta e a cultura hoje conta com recursos que jamais imaginou que poderia contar, graças à aprovação das Leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc”, disse Lula.
O presidente da República lembrou que o Brasil vive o tempo mais longevo de democracia contínua e, mesmo assim, sofreu uma tentativa de golpe no dia 8 de janeiro de 2023. “A sociedade, mais uma vez, repeliu a tentativa de golpe. E se depender de todos nós, aqui, esse país nunca mais haverá de sofrer um golpe. E se sofrer um golpe, nós haveremos de destruí-lo”.
HOMENAGENS
No evento, o presidente Lula e a ministra da Cultura, Margareth Menezes, entregaram a Ordem do Mérito Cultural a 112 personalidades brasileiras e 14 instituições que contribuem para o desenvolvimento da cultura e impulsionam a diversidade cultural do País, com destaque para o diretor de cinema Walter Salles, a atriz Fernanda Torres e o escritor Marcelo Rubens Paiva.
“Ao relembrar a história de sua mãe, Eunice Paiva, Marcelo Rubens Paiva contou a história de tantas mulheres brasileiras, órfãs de maridos, filhos e filhas, mas que não se deixaram vencer pela tirania. Walter Salles e Fernanda Torres, com o filme Ainda Estou Aqui, lançaram luzes sobre esse passado que não temos o direito de esquecer e resgataram em muitos de nós o orgulho de torcer mais uma vez pelo Brasil”, destacou Lula.
A premiação estava suspensa desde 2019. Neste ano, o prêmio celebra as quatro décadas de criação do Ministério da Cultura com o tema 40 anos do MinC: Democracia e Cultura.
O PALÁCIO
A solenidade de entrega da Ordem do Mérito Cultura também marcou a reinauguração do Palácio Gustavo Capanema, símbolo da arquitetura modernista, que estava fechado há 10 anos. As obras de reforma, iniciadas em fevereiro de 2019, receberam investimento de R$ 84,3 milhões e foram conduzidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).
LISTA AGRACIADOS E AGRACIADAS COM A OMC DA CATEGORIA GRÃ-CRUZ:
– Alaíde Costa Silveira Mondin Gomide – cantora e compositora brasileira, dos gêneros MPB, Samba e Pagode. Tem 89 anos, nascida no Rio de Janeiro.
– Alceu Paiva Valença – cantor, compositor, instrumentista, poeta, cineasta e advogado brasileiro. Tem 78 anos, nasceu no interior de Pernambuco, nos limites do Agreste com o Sertão, em São Bento do Una. Já lançou 65 álbuns ao longo de sua carreira.
– Aldir Blanc Mendes – In memoriam – Aldir Blanc nasceu no Rio de Janeiro, em 2 de setembro de 1946. Faleceu em 4 de maio de 2020, com 73 anos. Renomado letrista, compositor, cronista e médico brasileiro. Um dos grandes nomes da MPB foi homenageado com o nome da Política Aldir Blanc de Fomento à Cultura.
– Alcione Dias Nazareth – cantora, compositora e multi-instrumentista brasileira. Conhecida como Marrom, Dama do Samba e A Voz do Samba. Tem 77 anos e possui 50 anos de carreira.
– Antônio Viana Gomes – Tony Tornado – ator, cantor e compositor brasileiro, um dos principais nomes da música black music e precursor do estilo afro no País, consagrou-se tanto na área musical, como na atuação. Na próxima segunda-feira (26) completará 95 anos.
– Arlindo Domingos da Cruz Filho – músico e compositor brasileiro de samba. O cantor foi indicado cinco vezes ao Grammy Latino. Venceu quatro vezes o prêmio Estandarte de Ouro.
– Ary Beira Fontoura – natural de Curitiba-PR, tem 92 anos. Renomado ator, poeta, escritor e diretor teatral brasileiro. Com uma carreira que ultrapassa seis décadas, destacou-se em mais de 50 telenovelas da Rede Globo,
– Asfilófio de Oliveira Filho – Dom Filó – produtor e ativista cultural carioca, foi um dos criadores do movimento Black Rio nos anos 1970. Influenciou a valorização da cultura negra e da música soul brasileira.
– Danilo Santos de Miranda – in memoriam – sociólogo paulista, foi diretor do Sesc-SP e referência em políticas públicas de cultura. Sua atuação fortaleceu o acesso à cultura em todo o estado.
– Durval de Lima – Xororó – cantor sertanejo junto com o irmão mais velho, Chitãozinho. já gravaram mais de 40 discos e venderam mais de 37 milhões de cópias. Seu sucesso ao lado do irmão, que, aliás, ganharam vários prêmios da música brasileira, sempre esteve, também, ligado às suas aparições em programas da TV brasileira.
– Elizabeth Santos Leal de Carvalho – Beth Carvalho – in memoriam – nascida no Rio de Janeiro, Beth Carvalho foi uma das maiores sambistas do Brasil, conhecida como Madrinha do Samba. Revelou nomes como Zeca Pagodinho e imortalizou canções como Coisinha do Pai.
– Euclides Fagundes Filho – Bagre Fagundes – folclorista, instrumentista, compositor e cantor brasileiro de música regional gaúcha, autor do clássico “Canto Alegretense” e fundador do grupo Inhanduy. Participou ativamente da Campanha da Legalidade e integrou Os Fagundes ao lado da família.
– Fernanda Pinheiro Torres – atriz e escritora carioca, Fernanda Torres é conhecida por sua atuação no teatro, cinema e TV, especialmente em Os Normais e no filme Eu Sei que Vou Te Amar, que lhe rendeu prêmio em Cannes, e Ainda Estou Aqui, Oscar de melhor filme internacional em 2025.
– Francisco César Gonçalves – Chico César – cantor e compositor paraibano, Chico César mistura ritmos regionais com poesia e crítica social. Seu álbum Aos Vivos lançou clássicos como Mama África e o consolidou na MPB.
– Isaura Garcia – Isaurinha Garcia (in memoriam) – nascida em São Paulo em 1919 ou 1923, Isaurinha Garcia foi um dos ícones da Era do Rádio, com destaque para um sotaque carregado nas suas interpretações. Também conhecida como “A Personalíssima”, nos anos 1940 colecionou sucessos como “Aperto De Mão”, “O Sorriso Do Paulinho”, “Teleco-teco”, “De Conversa Em Conversa” e “Mensagem”, que rapidamente se tornou um clássico de seu repertório.
– João Carlos Gandra da Silva Martins – pianista e maestro brasileiro que tem uma carreira de mais de sete décadas de duração. Ele foi incentivado a tocar piano desde a sua infância pelo seu pai e tornou-se um dos grandes pianistas do Brasil e um dos mais importantes do mundo.
– José Lima Sobrinho – Chitãozinho – parte da icônica dupla sertaneja Chitãozinho & Xororó, nascido em Astorga-PR, foi fundamental para a popularização da música sertaneja no Brasil. Sucessos como Fio de Cabelo marcaram gerações.
– Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni – Laura Cardoso – atriz consagrada da dramaturgia brasileira, Laura Cardoso tem mais de 70 anos de carreira no teatro, cinema e televisão. É símbolo de talento, longevidade e dedicação à arte.
– Leci Brandão da Silva – cantora, compositora, atriz e política brasileira, conhecida como uma das maiores intérpretes de samba no Brasil. Sua carreira musical e política, marcada por sua atuação na defesa da cultura popular e dos direitos humanos, a consagrou como uma figura importante no cenário nacional.
– Léa Lucas Garcia de Aguiar – in memoriam – atriz brasileira, era conhecida por seus inúmeros papéis na televisão e no cinema. Seu papel de destaque foi em Orfeu Negro, vencedor do Oscar de 1959, no qual interpretou Serafina, prima de Eurídice.
– Lucinete Ferreira – Anastácia – tem 84 anos, nascida em Recife-PE, é uma das mais influentes cantoras e compositoras da música nordestina, referência incontestável do forró. Tem mais de seis décadas de carreira.
– Marcelo Rubens Beyrodt Paiva – escritor brasileiro contemporâneo conhecido por narrativas cheias de humor e de ironia, com alguns traços autobiográficos. Dois fatos marcaram sua vida e sua escrita: a morte do pai, em 1971, por perseguição do regime militar, e um acidente ocorrido quando tinha 20 anos, que o deixou tetraplégico. Esses foram temas presentes em sua obra mais famosa, Feliz ano velho (1982), que foi escrita após o autor conseguir retomar o movimento dos braços e pernas. Depois de produzir muitos romances e peças de teatro, ele segue como colunista do jornal Estadão (ou O Estado de S. Paulo) desde 2002.
– Maria Carlota Fernandes Bruno – produtora de cinema brasileira, integra a equipe da VideoFilmes, produtora fundada pelos irmãos Walter Salles e João Moreira Salles.
– Maria da Graça Xuxa Meneghel – apresentadora, atriz, cantora, empresária, filantropa e ex-modelo brasileira.
– Maria José Motta de Oliveira – Zezé Motta – atriz e cantora brasileira, considerada uma das maiores artistas do país, expoente da cultura afro-brasileira. Zezé já ganhou inúmeros prêmios, incluindo um Troféu Candango pelo Festival de Brasília, e um Prêmio Air France, além de ter recebido indicações para três prêmios Grande Otelo e um Prêmio Guarani.
– Maria Madalena Correia do Nascimento – Lia de Itamaracá – cantora, compositora, cirandeira. Patrimônio vivo do estado de Pernambuco, é reconhecida por sua atuação como divulgadora da ciranda no Brasil e no exterior.
– Marília Dias Mendonça – in memoriam – cantora e compositora, Marília Mendonça foi rainha da sofrência e ícone do feminejo. Sua voz marcou uma geração e deixou um legado poderoso na música sertaneja.
– Martinho José Ferreira – Martinho da Vila – cantor, compositor e escritor, Martinho da Vila é ícone do samba e da cultura afro-brasileira. Com letras poéticas e engajadas, é símbolo de brasilidade e sabedoria popular.
– Mateus Aleluia Lima – cantor, compositor e pesquisador cultural, Mateus Aleluia é remanescente do grupo Os Tincoãs. Sua música é marcada por religiosidade e ancestralidade afro-brasileira.
– Milton Silva Campos do Nascimento – cantor e compositor, Milton Nascimento é uma das maiores vozes da música brasileira. Suas canções atravessam fronteiras com poesia, espiritualidade e inovação sonora.
– Moacyr da Luz Silva – músico e compositor. Como compositor, possui mais de 100 músicas gravadas por diferentes intérpretes da MPB, como Maria Bethânia, Elba Ramalho, Nana Caymmi, Beth Carvalho, Leny Andrade, Gilberto Gil e Leila Pinheiro.
– Ney de Souza Pereira – Ney Matogrosso – cantor brasileiro que iniciou sua trajetória na música nacional na década de 1970. É conhecido por suas canções e danças irreverentes, por sua aparência andrógina, sendo um dos artistas mais autênticos da nossa história recente. Lançou canções de sucesso como “Homem com H” e “Poema”.
– Nilcedes Soares de Magalhães – Glória Menezes – atriz paulista de longa carreira na televisão e no teatro, Glória Menezes é um ícone da teledramaturgia brasileira, com papéis marcantes em novelas como Irmãos Coragem e Rainha da Sucata.
– Othon José de Almeida Bastos – ator com uma carreira de mais de 60 anos dedicados à TV, ao teatro e ao cinema. Ingressou em uma companhia teatral no início dos anos 1950, trabalhando inicialmente como assistente de cenografia, iluminação e sonoplastia. No fim da década, chegou a estudar artes cênicas em Londres, e deslanchou ao retornar para o Brasil.
– Paulo Gustavo Amaral Monteiro de Barros – in memoriam – humorista e ator fluminense, Paulo Gustavo conquistou o Brasil com sua personagem Dona Hermínia na franquia Minha Mãe é uma Peça. Sua morte precoce em 2021 deixou forte comoção nacional.
– Paulo Leminski Filho – in memoriam – poeta, tradutor e músico curitibano, Leminski foi um dos grandes nomes da poesia marginal e concreta dos anos 1970 e 80. Obras como Caprichos e Relaxos marcaram sua verve irreverente e pop.
– Romualdo Rosário da Costa – Mestre Moa do Katendê – in memoriam – capoeirista, compositor e educador, Mestre Moa foi símbolo da resistência cultural afro-brasileira. Assassinado em 2018, tornou-se ícone da luta contra a intolerância.
– Rosângela Lula da Silva – Janja – socióloga e primeira-dama do Brasil, com atuação destacada em causas sociais, direitos das mulheres e combate à fome. É também engajada na promoção da cultura e da participação popular.
– Rosa Lúcia Benedetti Magalhães – in memoriam – carnavalesca carioca, Rosa Magalhães é uma das maiores vencedoras do carnaval do Rio, com desfiles memoráveis por escolas como Imperatriz Leopoldinense e Vila Isabel. Também é artista plástica e professora.
– Vladimir Carvalho da Silva – in memoriam – cineasta e documentarista brasileiro. Vladimir figurava entre os nomes mais importantes do cinema brasileiro, tendo produzido mais de 10 documentários sobre temas da política e da história nacional.
– Walter Moreira Salles Júnior – diretor e produtor brasileiro. Figura importante do Cinema de Retomada no Brasil, Salles é amplamente considerado um dos maiores cineastas brasileiros de todos os tempos e diretor vencedor do Oscar da categoria de melhor filme internacional em 2025.
Com informações da Agência Brasil.
