A vereadora de Fortaleza Mari Lacerda, candidata à Presidência do Diretório Municipal do PT na capital cearense, afirmou que, quanto mais debates internos ocorrerem, mais fortalecido fica o partido. No próximo dia 6 de julho, o Processo de Eleição Direta (PED) do PT vai ocorrer em todo o País, para os Diretórios Nacional, Municipais e Estaduais.
Mari pertence ao Campo de Esquerda, movimento liderado pela deputada federal Luizianne Lins e que vem tecendo críticas à forma como o PT vem sendo administrado no Estado. A vereadora afirmou que, nos diálogos internos, a militância do Campo de Esquerda “precisa ser respeitada”.
Confira a entrevista completa:
No Ceará, o PT é presidido atualmente por Antônio Filho, o Conin, integrante do Campo Democrático, movimento liderado pelo deputado federal José Guimarães. Segundo a parlamentar municipal, em entrevista ao podcast Questão de Opinião, do Opinião CE, há divergências entre os dois grupos petistas.
“A gente tem divergências na política econômica, no arcabouço fiscal, algumas pautas que estão postas no Governo, e também temos divergências com as práticas internas”, disse.
Na sequência, ela citou casos de interferência externa por parte da Estadual do partido aos Diretórios Municipais, aos quais se posiciona contra. Mari lembrou o caso de Iguatu, município onde a legenda filiou o filho do deputado estadual Agenor Neto (MDB), Ilo Neto, para ser candidato à Prefeitura, situação que gerou incômodo dentro da legenda da cidade do Centro-Sul cearense. “O interesse da correlação do Governo se sobrepôs ao interesse do partido”, disse.
Para o PED, em Fortaleza e no Ceará, o Campo Democrático e o Campo Popular – criado recentemente – acordaram em unificar suas candidaturas. Para o âmbito estadual, o candidato será Conin, do Campo Democrático. Já para a Municipal, o postulante é o ex-deputado Antônio Carlos, do Campo Popular.
Pelo Campo de Esquerda, além de Mari, a também vereadora de Fortaleza Adriana Almeida é candidata à Estadual.
“A gente achou que era importante, nesse momento, que o Campo de Esquerda lançasse candidatura para dialogar com a militância e também com a sociedade”, explicou ela.
“PT DE ESQUERDA”
A candidatura de Mari Lacerda ao PT Fortaleza tem como base três bandeiras: “um partido livre, democrático e de esquerda”. Segundo ela, o objetivo é lembrar a legenda com base nos princípios de sua fundação. “A gente quer reivindicar um PT criado como esse instrumento vivo, esse instrumento que é completamente conectado com as lutas sociais”, disse.
“Diversos setores da sociedade apostaram na constituição desse instrumento. Então, quando reivindicamos um PT livre, democrático e de esquerda, é reivindicar o PT que foi pensado e criado lá atrás e que segue sendo esse instrumento vivo”, afirmou.
A candidatura da vereadora, como afirmou ela, também questiona o número de filiações em massa que foram realizadas para as eleições municipais de 2024. “Foram feitas mais de 15 mil filiações”, lembrou. De acordo com ela, esse processo passou pela condução de agentes externos ao partido para a disputa de posições, “mas não necessariamente para fortalecer o partido como esse instrumento”.
Ela defende, neste ponto, um partido grande, com muitos filiados, mas que sejam conectados com as bandeiras históricas petistas. “Ao entrar no partido, é importante que as pessoas saibam quais são as bandeiras que o partido defende”, finalizou.
