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CPI das Bets estuda indiciar Virgínia, Rico Melquiades e outros influenciadores, mas há incertezas

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets estuda incluir, no relatório final da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), pedido de indiciamento de Virgínia Fonseca, Rico Melquíades, bem como de outros influenciadores digitais que divulgam sites de apostas em suas redes sociais. Ambos os investigados prestaram depoimento no Senado nesta semana.

Os senadores veem indícios de desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor, dada a falta de indicação de publicações como peças publicitárias.

A CPI analisa também a possibilidade de enquadrar alguns influenciadores em crimes como o de estelionato. Embora haja predisposição em incluir influenciadores no relatório final, é provável que o texto não seja apreciado pela comissão. Isso porque, a falta de quórum tem sido um dos entraves dos trabalhos, com um movimento de senadores da “bancada das bets” para esvaziar a CPI.

“Me preocupa a falta de quórum no dia da votação do relatório. Aí o Brasil vai saber quem são os ‘pizzaiolos’”, afirmou a relatora nesta quarta-feira (14).

Conforme Thronicke, o objetivo da Comissão é entender o papel de influenciadores na divulgação de jogos de azar no Brasil, principalmente pelo potencial de influência dessas pessoas, bem como os impactos sociais e psicológicos causados por esse tipo de publicidade. “Isso é um problema de saúde pública”, pontuou a senadora.

OS INFLUENCIADORES

Os dois influenciadores ouvidos pelos senadores foram Virgínia Fonseca, que conta com mais de 50 milhões de seguidores no Instagram, e Rico Melquíades, que soma cerca de 10 milhões. Ambos usam a estratégia de citar a permissão do Congresso Nacional para a prática de parceria com empresas de aposta online.

Na tarde de ontem (14), Rico Melquíades, também investigado na Operação Game Over da Polícia Civil de Alagoas, destacou: “Se eu divulgo hoje, é porque o Congresso aprovou. Então, acho que esse pensamento (impactos das bets) deveria vir de vocês também. Eu estou fazendo o meu trabalho. Eu não obrigo ninguém a jogar”, afirmou o influencer.

Ainda nesta quarta-feira (14), a relatora Soraya Thronicke, que inclusive tirou fotos e trocou follow com Virgínia logo após a sessão da CPI da última terça-feira (13), comentou o depoimento da influenciadora, e também a imagem transmitida pela esposa do cantor Zé Felipe. Ela vestia um moletom com a imagem da filha estampada, usava óculos de grau e estava com uma garrafa térmica cor de rosa de sua própria marca, We Pink.

“As plataformas continuam com apelo infantil. Até mesmo a própria influenciadora ontem, Virgínia. Eu achei que fosse o estilo dela de vestimenta, mas ela estava com um estilo bastante jovial, muito adolescente. E adolescente não pode jogar. Vocês atraem público. Deveriam se comportar e atrair um público que tem comportamento menos jovial. De repente, usar um terno, sei lá…”, ressaltou a senadora

A também senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que não é membro da CPI, mas participa das reuniões, criticou a presença “à vontade demais” de Virgínia. “A gente encontrou ali elementos. Claro que a partir de ontem ela vai vender mais garrafinhas, mais moletons. Tudo muito pensado, cada detalhe. Que bom que o Ricardo não trouxe nenhum objeto para vender nada”, complementou.

Durante o depoimento, Virgínia afirmou que seguia as diretrizes do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar). E sobre o impacto sobre seus seguidores, disse que não poderia fazer nada. “Acredito que tudo serviu de ensinamento. Vou chegar em casa e pensar, pode ter certeza”, afirmou. “Eu não tenho poder de fazer nada. Então, aí, tá complicado”, completou a influenciadora.

IMPACTOS DAS BETS

Conforme dados da Associação Americana de Psiquiatria, até 50% das pessoas que possuem o “transtorno do jogo”, o de fazer apostas compulsivamente, relatam pensamentos suicidas. Do total, cerca de 17% já tentaram suicídio.

Segundo o estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Panorama das Bets, com base em dados disponibilizados pelo Banco Central, brasileiros destinaram cerca de R$ 240 bilhões às bets em 2024. Segundo a CNC, os resultados indicam que as apostas online causam endividamento e vício e não só afetam os apostadores, como geram impactos socioeconômicos significativos para toda a sociedade.