O presidente Lula (PT) criticou o vazamento de uma conversa que teve com o presidente da China, Xi Jinping. A primeira-dama Janja, durante reunião entre os dois chefes de Estado, teria pedido a palavra para citar os efeitos nocivos do TikTok, que, segundo ela, estaria favorecendo o avanço da extrema-direita no Brasil. Lula, em transmissão no canal oficial do governo, reclamou do vazamento da conversa e disse que, se alguém que acompanha sua comitiva estava incomodado durante a reunião, “era só ter pedido para sair”.
De acordo com o petista, foi ele quem perguntou ao presidente chinês se era possível enviar uma pessoa de confiança para discutir a regulamentação das redes sociais, “sobretudo do TikTok”. No momento, então, Janja teria pedido a palavra para “explicar o que está acontecendo no Brasil”.
“Para mim, foi uma coisa simplesmente normal. Ele vai mandar uma pessoa. Isso que importa. Vai mandar uma pessoa, especialmente para conversar conosco sobre o que a gente pode fazer nesse mundo digital”, explicou.
Lula disse achar estranho que a sua pergunta tenha chegado à imprensa. “Estavam só os meus ministros, o [presidente do Senado, Davi] Alcolumbre e o [deputado] Elmar [Nascimento]”, afirmou. “Alguém teve a pachorra de ligar para alguém e contar uma conversa que aconteceu em um jantar que era algo muito pessoal e confidencial”, acrescentou.
Na sequência, o chefe do Executivo moderou sua fala em relação aos integrantes da comitiva. “Ainda bem que está o Elmar [aqui], em nome da Câmara, e o Davi, que sabem que temos que regulamentar [as redes sociais]”, pontuou. “Não é possível a gente continuar com as redes digitais cometendo os absurdos que cometem e a gente não ter a capacidade de fazer uma regulamentação”, completou.
Os dois parlamentares são filiados ao União Brasil, partido que, apesar de ter ministério no governo Lula, já articula disputar as eleições de 2026 fora da coligação do petista. A legenda, que recentemente firmou federação com o PP, formando a União Progressista, já conta com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato à Presidência da República.
