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Lula diz que pedirá a Putin para negociar com Zelensky o fim da guerra entre Rússia e Ucrânia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse na noite desta quarta-feira (13) que ligará para o chefe de Estado da Rússia, Vladimir Putin, para incentivá-lo a negociar com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, como forma de encontrarem uma solução para o fim da guerra entre os dois países. Na última semana, o chefe do Executivo brasileiro esteve em Moscou, para as comemorações do Dia da Vitória, onde também já havia tratado do assunto.

“Todos nós sabemos os motivos da guerra, não precisamos entrar em detalhes. Eu estou preocupado é em encontrar o motivo da paz”, afirmou Lula durante entrevista à imprensa, em Pequim, capital da China, onde cumpriu visita oficial nos últimos dias.

No último domingo (11), o presidente ucraniano afirmou estar pronto para, nesta quinta-feira (15), encontrar Putin em Istambul, na Turquia, país que também está mediando uma tentativa de acordo. Zelensky espera pela presença do governo russo, no entanto, não há certeza quanto ao comparecimento de Putin. Os chefes de Estado não se encontram desde dezembro de 2019.

“O meu ministro Mauro Vieira [Relações Exteriores] tinha recebido um telefonema do chanceler da Ucrânia dizendo que o Zelensky gostaria que eu pedisse para o Putin, para saber se o Putin estava disposto a fazer um acordo de paz, uma trégua de 30 dias. Tive a oportunidade de jantar ao lado do Putin e foi a primeira coisa que perguntei. E o Putin disse textualmente que ‘eu topo discutir isso a partir do acordo que estávamos fazendo em Istambul, em 2022’. Eu não conheço [os detalhes desse acordo]. Quando eu parar em Moscou [em escala de voo na volta ao Brasil], eu vou tentar falar com o Putin. Não me custa nada falar: ‘olha, companheiro Putin, vai até Istambul negociar, pô'”, disse Lula ao responder a pergunta de um jornalista.

O presidente defendeu uma “movimentação política” pela paz, que só será alcançada por meio de negociação verbal entre os dois países. Ele citou ainda o presidente da China, Xi Jinping, com quem parabenizou as declarações dos dois chefes de Estado europeus de se encontrarem em Istambul.

“Somente os dois [Rússia e Ucrânia] podem encontrar uma solução. E é com muito otimismo que ouvi a proposta do Putin, ouvi a aceitação da proposta do Putin pelo Zelensky”, completou Lula.

O conflito entre os dois países iniciou ainda em fevereiro de 2022, quando Putin enviou as forças armadas russas para a Ucrânia, desencadeando a morte de centenas de milhares de soldados e civis. A guerra já é a mais grave entre a Rússia e o Ocidente desde a Crise dos Mísseis de Cuba em 1962.

FAIXA DE GAZA

Durante a entrevista, Lula voltou também a comentar sobre a situação do território de Gaza, e pediu que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha o mesmo empenho para acabar com o conflito na Palestina como está tendo para o fim da guerra na Ucrânia.

“Com toda a divergência que eu possa ter com Trump e ele comigo, acho que a decisão dele sobre a guerra [na Ucrânia] foi importante. Você tinha o nosso amigo [Joe] Biden [ex-presidente dos EUA] falando em guerra todo dia, em destruir a Rússia todo dia. O Trump veio e falou que é preciso paz, fazer parar essa guerra. E eu espero que ele possa terminar o genocídio na Faixa de Gaza. Aquilo não é uma guerra, é um genocídio”, reiterou Lula, citando a disparidade entre as forças palestinas e israelenses. “Não é uma guerra entre dois exércitos [na Faixa de Gaza]. É uma guerra entre um Exército altamente sofisticado contra mulheres e crianças”, concluiu.

Em relação ao conflito europeu, no último domingo, Donald Trump afirmou, em seu perfil na Truth Social, que o governo ucraniano deveria concordar com o encontro, mas que poderia não haver um acordo. “O presidente Putin da Rússia não quer um acordo de cessar-fogo com a Ucrânia, mas sim uma reunião na quinta-feira, na Turquia, para negociar um possível fim para o banho de sangue”, disse.