A situação do Minimuseu Firmeza, no bairro Mondubim, em Fortaleza, será tema de audiência pública na Câmara Municipal de Fortaleza nesta quarta-feira (14), às 15h. Promovida pela vereadora Mari Lacerda (PT), a iniciativa visa reunir representantes do poder público, da sociedade civil e de instituições culturais para discutir estratégias que garantam o pleno funcionamento e valorização do equipamento.
Atualmente, o local histórico e cultural tem sofrido dificuldades de acesso pela falta de pavimentação e drenagem na estrada que leva ao sítio, além de obras no entorno.
Para a gestora do espaço, Paula Machado, essas dificuldades têm afetado diretamente as atividades formativas e de visitação. “O problema foi intensificado com uma obra de particulares que têm dificultado bastante o acesso do público, assim como as ações do museu”, destacou a titular.
Já a proponente da audiência pública na casa legislativa municipal, Mari Lacerda, defende que um olhar para o museu é essencial, principalmente para as pessoas que se beneficiam diretamente das atividades realizadas pelo equipamento.
“A comunidade do Parque Santana e Fortaleza merecem um acesso digno a esse espaço tão importante que, além de problemas estruturais, sofre ainda com a ausência de apoio institucional contínuo, dependendo atualmente de editais sazonais e parcerias pontuais para se manter em funcionamento”, reiterou a parlamentar.
Considerado um importante ponto de cultura, lazer e convivência, além dos artistas, o museu atende a comunidade do seu entorno, em especial a comunidade do Parque Santana, que tem uma relação de pertencimento com o equipamento.

MUSEU FIRMEZA
O sítio cultural foi residência do casal de artistas Estrigas (1919–2014) e Nice Firmeza (1921–2013), que transformaram a casa em museu. O espaço guarda parte importante da memória cultural e artística do Ceará, abrigando um importante acervo de documentos a respeito da história da arte do Ceará em sua reserva. A casa realiza ações de atendimento ao público, pesquisa, ação educativa e residência artística.
Composto de mais de 500 obras, entre pinturas, desenhos, esculturas e instalações, o acervo reúne nomes como Mário Baratta, TX, Aldemir Martins, Barrica, Sérgio Lima, Garcia, Chico da Silva, Barbosa Leite, Vicente Leite, Delfino, Pierre Chabloz, Raimundo Campos, Afonso Bruno, Zenon Barreto, Descartes Gadelha, Carlos Macêdo, Narcélio Grud, Rian Fontenele, dentre outros.
“Uma verdadeira narrativa da história da arte no Ceará, com seus movimentos, estilos, especificidades, influências, quebras de paradigmas, novas linguagens e novos suportes da arte moderna e contemporânea. Através deste amplo acervo, Estrigas e Nice deram voz à narrativa contada pelo Minimuseu”, ressalta Paula Machado.
O equipamento também conta com as obras de Nice e Estrigas, seus fundadores, desempenhando assim papel importante nas artes plásticas cearenses. Somam-se ao acervo livros, catálogos, revistas e recortes de jornais, organizados na biblioteca de Estrigas.
