O prefeito de Santa Quitéria, Braguinha (PSB), teve o seu mandato cassado pela Justiça Eleitoral por envolvimento com o Comando Vermelho (CV). A decisão, assinada pelo juiz eleitoral Magno Gomes de Oliveira, da 54ª Zona Eleitoral de Santa Quitéria, atendeu à recomendação do Ministério Público Eleitoral (MPE). Além do gestor, o vice-prefeito Gardel Padeiro (PP) também foi cassado. Os dois também ficam inelegíveis pelo período de oito anos. As medidas não são imediatas, com os políticos podendo recorrer.
Eleito em 2024, Braguinha foi impedido de tomar posse em 1º de janeiro, dia em que foi preso. Durante a eleição, conforme detalhado pela investigação, a organização criminosa atuou para beneficiar a candidatura do gestor. Entre os crimes identificados estão ameaças diretas, inclusive ao candidato opositor à Prefeitura, Tomás Figueiredo (MDB); ameaça a moradores; e uso indevido de recursos públicos para atender aos interesses do grupo criminoso, que, conforme apontam os autos, atuou em favor da chapa vencedora do pleito do ano passado.
Nos autos, foram identificadas pelo menos 16 pichações em que são veiculadas ameaças a eleitores e apoiadores do opositor Tomás Figueiredo. Frases como “Se apoia o Tomás vai entrar no problema com a tropa do Paulinho Maluco”, “Fora Tomás 15. VCV”, “Quem apoia o Thomas vai entrar no problema com a tropa” e “Bala no 15” foram registradas e ajudaram no embasamento da decisão do juiz. “Paulinho Maluco” é o apelido de Anastácio Ferreira Paiva – conhecido como “Doze” -, líder do CV na região do Sertão Central. Dois servidores da Prefeitura de Santa Quitéria, três meses antes das eleições, viajaram ao Rio de Janeiro para negociar com Anastácio. Na ocasião, foi levado um veículo para a organização criminosa.
Em um dos grupos de WhatsApp que a operação policial teve acesso às mensagens, o braço direito de Paulinho Maluco, Francisco Girvando Ferreira, conhecido como “Rikelme”, informa, no dia 16 de agosto, que os candidatos apoiados pela facção seriam Braguinha e, para vereadores, Gabriel Filho (PSB) e Kylvia de Lima (PP). Em 19 de agosto, Rikelme pediu aos demais integrantes do grupo que todas as residências com fotos de Tomás fossem pichadas e os carros com adesivos do então candidato tivessem os vidros e retrovisores quebrados. A recomendação foi de que o nome de Braguinha não fosse colocado nas pichações.
A defesa do prefeito, durante o julgamento, negou que ele tenha participado de “quaisquer atos de coação de eleitores” durante a campanha eleitoral. Há também contestação de “prévia animosidade entre ‘Paulinho Maluco’ e o candidato Tomás Figueiredo”.
