A Missa Pro Eligendo Romano Pontifice, celebrada na manhã desta quarta-feira (7), na Basílica de São Pedro, marca o início do processo de eleição do novo Papa. A celebração foi presidida pelo Cardeal Decano, dom Giovanni Battista Re, e concelebrada pelos membros do Colégio Cardinalício, reunindo milhares de fiéis, que já vivem a expectativa pela escolha do Sucessor de Pedro.
Iniciado o Conclave, é proclamada então a “Extra omnes”, expressão em latim que marca o fechamento da chave da Capela Sistina. Serão ao todo 133 cardeais eleitores.
Em sua homilia, dom Giovanni Battista Re pontuou: “Nos Atos dos Apóstolos, lê-se que, após a ascensão de Cristo ao céu e enquanto aguardavam o dia de Pentecostes, todos perseveravam unidos em oração com Maria, a Mãe de Jesus (cf. At 1,14). É exatamente isso o que nós também estamos fazendo, a poucas horas do início do Conclave, sob o olhar da Virgem Maria, colocada ao lado do altar nesta Basílica que se ergue sobre o túmulo do Apóstolo Pedro”, refletiu.
Ao concluir sua homilia, o decano encerrou: “que a Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, nos auxilie com sua materna intercessão, para que o Espírito Santo ilumine as mentes dos cardeais eleitores e os torne concordes na eleição do Papa de que o nosso tempo necessita”.
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COMO SE ELEGE UM PAPA
A distribuição das cédulas
- Quando começada a eleição, os 133 cardeais eleitores convocados para escolher o 267º Romano Pontífice terão em suas mãos uma cédula retangular com a escrita “Eligo in Summum Pontificem” na metade superior, o local para escrever o nome do eleito na metade inferior. Todas as regras estão meticulosamente descritas na Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis.
- Preparadas e distribuídas as cédulas pelos cerimoniários, o último cardeal diácono sorteia, entre todos os cardeais eleitores, três escrutinadores, três encarregados de coletar os votos dos enfermos (infirmarii) e três revisores. Essa é a fase de pré-escrutínio. Antes que os eleitores comecem a escrever, o secretário do Colégio de cardeais, o mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias e os cerimoniários devem deixar a Capela Sistina, depois o último cardeal diácono fecha a porta, abrindo-a e fechando-a quantas vezes forem necessárias, como quando os infirmarii saem para coletar os votos dos enfermos e retornam à Capela.
A votação
- Cada cardeal eleitor, em ordem de precedência, após ter escrito e dobrado a cédula, a eleva de modo que fique visível, leva-a ao altar, onde ficam os escrutinadores e sobre o qual é colocado um recipiente coberto com um prato para recolher as cédulas, e então diz: “Chamo como minha testemunha Cristo Senhor, que me julgará, que meu voto é dado àquele que, segundo Deus, considero que deva ser eleito”. Em seguida, coloca a cédula no prato e, com isso, a introduz no recipiente. Ao término, ele se curva diante do altar e retorna ao seu assento.
O escrutínio
- Após todos os eleitores colocarem suas cédulas na urna, o primeiro escrutinador sacode a urna várias vezes para embaralhar as cédulas e depois, o último escrutinador procede à contagem das cédulas, retirando-as visivelmente uma a uma da urna e colocando em outro recipiente vazio. Se o número de cédulas não corresponder ao número de eleitores, todas elas deverão ser queimadas e uma segunda votação deverá ser realizada imediatamente. Se corresponder ao número de eleitores, segue-se a contagem. Os três escrutinadores sentam-se em uma mesa em frente ao altar: o primeiro pega uma cédula, abre-a, observa o nome do eleito e a passa para o segundo, que, após verificar o nome do eleito, a passa para o terceiro, que a lê em voz alta e anota o nome lido.
- Quando a contagem das cédulas termina, os escrutinadores somam os votos obtidos pelos vários nomes e os anotam em uma folha de papel separada. O último dos escrutinadores, perfura as cédulas após lê-las com uma agulha no ponto em que a palavra “Eligo” está localizada e as insere em uma linha, para serem preservadas com mais segurança. Quando a leitura dos nomes é concluída, as pontas da linha são amarradas com um nó e as cédulas são colocadas em um recipiente ou em um dos lados da mesa. A este ponto, os votos são contados. Depois de conferidas, as cédulas são queimadas em um fogão de ferro fundido usado pela primeira vez durante o Conclave de 1939. Um segundo fogão, de 2005, conectado, é usado para os produtos químicos que devem dar a cor preta no caso de não eleição e branca no caso de eleição.
O quorum necessário
- São necessários pelo menos 2/3 dos votos para eleger o Romano Pontífice. No caso específico do Conclave de 2025, serão necessários 89 votos para eleger o Papa, sendo que o número de cardeais eleitores é 133.
- Independentemente de o Papa ser eleito ou não, os revisores devem verificar as cédulas e as anotações feitas pelos escrutinadores, para garantir que eles tenham cumprido sua tarefa. Após a revisão, antes que os cardeais eleitores deixem a Capela Sistina, todas as cédulas são queimadas pelos escrutinadores, com a ajuda do secretário do Colégio e dos cerimoniários, chamados nesse meio tempo pelo último cardeal diácono.
Votações
- Serão quatro votações, por dia, duas pela manhã e duas à tarde. Após a 33ª ou 34ª votação, haverá um segundo turno direto e obrigatório entre os dois cardeais que receberam mais votos na última votação. Se os cardeais eleitores tiverem dificuldade em chegar a um acordo sobre a pessoa a ser eleita, após três dias sem resultado, as votações são suspensas. Até mesmo nesse caso, sempre será necessária uma maioria de dois terços. Os dois cardeais restantes não poderão participar ativamente da votação. Se os votos para um candidato atingirem dois terços dos eleitores, a eleição do Papa será canonicamente válida.
Eleição do Papa
- Nesse momento, o último da ordem dos cardeais diáconos convoca o mestre das Celebrações Litúrgicas e o secretário do Colégio Cardinalício. Ao recém-eleito, será questionado: “Acceptasne electionem de te canonice factam in Summum Pontificem?’ (Aceita a sua eleição canônica como Sumo Pontífice?). Em caso afirmativo, será perguntado: “Quo nomine vis vocari?” (Como quer ser chamado?), pergunta à qual responderá com seu nome pontifício. Após a aceitação, as cédulas são queimadas, de modo que a clássica fumaça branca poderá ser vista da Praça de São Pedro.
Fim do Conclave
No final do conclave, o novo Pontífice se retira para a “Sala das Lágrimas”, ou seja, a sacristia da Capela Sistina, onde vestirá pela primeira vez os paramentos papais. Após a oração pelo novo Pontífice e a homenagem dos cardeais, o “Te Deum” é entoado, marcando o fim do Conclave. Em seguida, o anúncio da eleição, o Habemus papam, o novo Papa dará a solene bênção “Urbi et Orbi”.
