O governador Elmano de Freitas (PT) e uma comitiva de deputados e liderança políticas visitaram, neste domingo (4), o Açude Orós, reservatório que, no fim de abril, sangrou após 14 anos sem verter. “Eu fico muito mais tranquilo, como governador, em saber que não vamos ter grande aperto neste ano, nem no próximo ano, se eu tenho Orós sangrando, se eu tenho o Castanhão com 30%, eu sei que neste ano e ano que vem essas regiões muito populosas do Ceará vão estar tranquilas quanto ao abastecimento de água“, celebrou Elmano em entrevista à Rádio Orós FM.
Conforme Elmano, a carga que o Castanhão teve neste ano foi relativamente pequena. Ele está com cerca de 30% de recarga.
“Sabemos que temos uma integração dessa bacia e que essa água do Orós pode ir até o Castanhão, que vai chegar na Região Metropolitana de Fortaleza, no nosso Porto do Pecém, e em um momento em que estamos fazendo uma obra, que é a duplicação do Eixão das Águas, dobrando a capacidade de levar água. Isso nos garante segurança hídrica a uma parte muito significativa da população. Também temos o aspecto produtivo, porque sabemos que, quando tem água, tem possibilidade maior de riqueza, de irrigação”.
Elmano também anunciou a construção de uma escola de tempo integral no município e disse que sentará com a prefeita Tereza Cristina para avaliar mais novidades. “Daqui a alguns dias, iremos nos encontrar com a prefeita, que levará as demandas, e decidiremos quais as prioridades de parcerias entre Estado e município”.
O reservatório, por meio da ajuda à perenização do Rio Jaguaribe, é um agente importante para a chegada de água no Castanhão, maior açude do Ceará e que realiza a distribuição hídrica para a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Ele também é utilizado para a irrigação do Médio e Baixo Jaguaribe e para a piscicultura. O açude começou a sangrar na noite de 26 de abril, por volta das 22h17.
Segundo Tércio Tavares, diretor de Operações da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), que realiza o monitoramento dos 157 reservatórios considerados estratégicos para o Ceará, o Orós não representa apenas a segunda maior reserva hídrica do Estado, como possibilita a segurança hídrica de mais de 70 mil cearenses. “Além do abastecimento humano, o Orós atende também produtores e piscicultores das regiões do Médio e Baixo Jaguaribe, fortalecendo a economia do nosso Estado”, afirmou.
O deputado estadual Simão Pedro (PSD), liderança política do município, já havia anunciado a visita da comitiva ao Opinião CE e destacou a simbologia do momento. “É um presente de Deus para nós, porque sabemos que a água, hoje, é uma grande riqueza. Em boa parte do mundo, com escassez de água, está se buscando, inclusive, da água salgada para torná-la doce”, disse. O pessedista acrescentou ainda que é preciso “cuidar com carinho” e distribuir o recurso com “muito cuidado”. “Hoje, temos abundância, mas que amanhã não possa faltar”, concluiu.
ORÓS
O Açude Orós, oficialmente Açude Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, foi construído em 1962 pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e tem capacidade de armazenamento de 1,94 bilhão de m³, sangrando na cota 199,5 metros. Até 2002, ele foi o maior reservatório do Estado, perdendo o posto com a construção do Açude Castanhão, que possui capacidade de acumular 6,7 bilhões de m³ de água.
Integrando à Bacia do Alto Jaguaribe e com múltiplos usos, como a perenização do Rio Jaguaribe, a irrigação do Médio e Baixo Jaguaribe e a piscicultura, o reservatório Orós iniciou o ano de 2025 na cota 196,16 metros, com um volume de 1,137 bilhão de m³ (58,6%). O último ano em que o Açude Orós sangrou foi 2011. Desde 1975, o evento de sangria já foi registrado em 11 anos, sendo este o 12º caso de sangria do reservatório.
