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União Progressista e Podemos-PSDB: como as alianças repercutem no cenário político do Ceará

Presidentes estaduais do União Brasil, Capitão Wagner; do PP, AJ Albuquerque; do Podemos, Bismarck Maia; e do PSDB, Ozires Pontes. Fotos: Divulgação e Reprodução

Mais de um ano e meio separa a data de hoje das Eleições Gerais de 2026. Ainda assim, lideranças partidárias e partidos já se articulam para construir suas estratégias para o pleito. Em âmbito nacional, duas alianças já foram firmadas: a federação União Progressista, entre União Brasil e PP; e a fusão entre PSDB e Podemos. Os acordos aguardam apenas o trâmite legal para que estejam registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com as decisões devendo ser tomadas de forma conjunta a partir da formalização da federação ou da fusão, rumores apontam para a possibilidade de conflitos entre os diretórios estaduais.

A União Progressista, federação firmada em reunião na última terça-feira (29), contará com a maior bancada na Câmara dos Deputados, com 109 parlamentares. O número demonstra não apenas a força da nova aliança, como também tem impacto direto nas eleições: as bancadas na Câmara Federal definem o tempo de TV e o fundo partidário de cada legenda.

No Estado, no entanto, as duas siglas estão de lados opostos. Enquanto parte relevante — incluindo o presidente estadual, Capitão Wagner — do União Brasil se encontra na oposição ao governo de Elmano de Freitas (PT), o Progressistas não só está na base, como também ocupa a Secretaria das Cidades, comandada por Zezinho Albuquerque. O titular da pasta, aliás, é pai do presidente do diretório estadual do partido, o deputado federal AJ Albuquerque.

Para 2026, a expectativa é de que a federação lance ou apoie um candidato opositor ao grupo governista. Mesmo integrando o grupo ministerial do presidente Lula (PT), as siglas já trabalham com um pré-candidato à Presidência: o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do União Brasil. As decisões tomadas pela direção nacional, em ano de eleições gerais, tendem a repercutir nos estados onde houver divergências de posicionamento político-partidário.

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Em âmbito cearense, a União Progressista vai contar com cinco deputados federais – quatro do União Brasil e um do PP -, seis deputados estaduais – quatro do União Brasil e dois do PP – e 18 prefeitos – cinco do União Brasil e 13 do PP. Com o maior fundo partidário para 2026, no entanto, as lideranças já trabalham sob a possibilidade de receber mais filiados.

PODEMOS-PSDB

Já a fusão entre o PSDB e o Podemos, apesar de não surgir com uma bancada muito extensa — apenas a sétima maior da Câmara, com 28 parlamentares —, também chama atenção para os rumos que tomará nos âmbitos nacional e estadual. Em relação ao presidente Lula, os tucanos fazem oposição, enquanto o Podemos, apesar de conter parlamentares oposicionistas, tem uma bancada dividida. A fusão, diferente da federação, faz com que os partidos sejam um só. O nome do novo partido ainda não foi anunciado, e segue como “Podemos-PSDB” até a definição.

No Ceará, os cenários são mais concretos. Enquanto o Podemos, presidido por Bismarck Maia, integra a base do governo e conta com Eduardo Bismarck — que deve deixar o PDT para se filiar ao partido do pai na janela partidária — como secretário do Turismo, o PSDB, presidido pelo prefeito de Massapê, Ozires Pontes, faz oposição. Tanto governistas quanto oposicionistas articulam, nos bastidores, a possibilidade de contar com a federação em suas respectivas coligações ao Palácio da Abolição.

A decisão, no entanto, deve vir das direções nacionais dos partidos. Conforme informou Bismarck Maia ao Opinião CE, a presidente nacional do Podemos, deputada federal Renata Abreu, virá ao Ceará para uma conversa com o governador Elmano de Freitas e demais lideranças. Na pauta, poderá estar o apoio ao grupo governista.

Os números da nova sigla, no Estado, não são tão animadores, já que seguirá com apenas uma deputada estadual – atualmente no PSDB – e uma federal – do Podemos, mas podendo chegar a dois com a possível adesão de Eduardo Bismarck. No número de prefeitos, com dois de cada partido, a legenda vai chegar a um total de quatro gestores municipais.