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Brasil salta 47 posições em ranking mundial de liberdade de imprensa em 3 anos, aponta pesquisa

Para os pesquisadores, há um clima menos hostil ao jornalismo depois da “era Bolsonaro”. Foto: Maitê Berna/Ponte Jornalismo

Em 3 anos, o Brasil deu um salto de 47 posições no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa da organização não governamental e sem fins lucrativos Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Embora ainda abaixo dos 50 melhores países, o país passa por uma mudança positiva, saindo da 110ª posição em 2022 (55,36 pontos), para 63ª em 2025 (63,8 pontos). Para os pesquisadores, há um clima menos hostil ao jornalismo depois da “era Bolsonaro”. 

Conforme o estudo, liberdade de imprensa é a “possibilidade efetiva de jornalistas, como indivíduos e como coletivos, selecionarem, produzirem e divulgarem informações de interesse público, independentemente de ingerências políticas, econômicas, legais e sociais, e sem ameaça à sua segurança física e mental”. Noruega, Estônia e Países Baixos lideram a lista, Brasil segue abaixo da Coreia do Sul, Estados Unidos, África do Sul e Ucrânia, por exemplo.

Os números brasileiros, no entanto, estão entre as poucas melhorias nesse indicador de 2025. Seis em cada dez países caíram no ranking. Pela primeira vez na história do levantamento, as condições para o jornalismo são consideradas “ruins” em metade dos países do mundo e “satisfatórias” em menos de um em cada quatro.

“O novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva traz de volta uma normalização das relações entre as organizações estatais e a imprensa, após o mandato de Jair Bolsonaro marcado por uma hostilidade permanente ao jornalismo. Mas a violência estrutural contra jornalistas, um cenário midiático marcado pela alta concentração privada e o peso da desinformação representam desafios significativos para o avanço da liberdade de imprensa no país”, destaca o estudo.

Na pesquisa, a pontuação média de todos os países avaliados ficou abaixo de 55 pontos, o que qualifica a situação da liberdade de imprensa no mundo como “difícil”. Segundo a RSF, o ranking é um índice que mede as condições para o livre exercício do jornalismo em 180 países do mundo.

INDICADORES

O índice tem cinco indicadores: político, social, econômico, marco legal e segurança. Com base na pontuação de cada um, é definida a pontuação geral por país. O indicador econômico foi o que mais pesou em 2025, ou seja, concentração da propriedade dos meios de comunicação, pressão de anunciantes ou financiadores, ausência, restrição ou atribuição opaca de auxílios públicos.

Segundo a RSF, os meios de comunicação estão divididos entre a garantia da própria independência e a luta pela sobrevivência econômica, e a independência financeira é essencial. “Garantir um espaço de meios de comunicação pluralistas, livres e independentes exige condições financeiras estáveis e transparentes. Sem independência econômica, não há imprensa livre. Quando um meio de comunicação está economicamente enfraquecido, ele é arrastado pela corrida por audiência, em detrimento da qualidade, e pode se tornar presa fácil de oligarcas ou de tomadores de decisão pública que o exploram”, pontua Anne Bocandé, diretora editorial do RSF.

RETROCESSOS

A Argentina, que ocupa a 87ª posição entre os 180 países, segundo a pesquisa, há retrocessos pelas tendências autoritárias do governo do presidente Javier Milei. O Estado desmantelou a mídia pública e utilizou a publicidade estatal como instrumento de pressão política. O país perdeu 47 posições em dois anos.

Já os Estados Unidos (57º) são marcados, atualmente, pelo segundo mandato de Donald Trump, que conforme o levantamento, politizou instituições, reduziu o apoio à mídia independente e marginalizou jornalistas. No país, a confiança na mídia está em queda, os repórteres têm enfrentado hostilidade e muitos jornais locais estão desaparecendo. Trump também encerrou o financiamento federal da Agência dos Estados Unidos para a Mídia Global (USAGM).

Enquanto as regiões do Oriente Médio e Norte da África, são consideradas as mais perigosas para os jornalistas no mundo. Destaque, segundo a RSF, para o massacre do jornalismo em Gaza pelo exército israelense. A situação de todos os países nessas regiões é considerada “difícil” ou “muito grave”, com exceção do Catar (79º).

BIG TECHS E CONCENTRAÇÃO MIDIÁTICA

A RSF pontua o papel das big techs como um dos problemas atuais enfrentados pelos meios de comunicação. Ou seja, a economia de mídia é diretamente impactada pelo domínio do GAFAM (Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft) na distribuição de informações. Plataformas não regulamentadas, que capturam receitas de publicidade que sustentavam o jornalismo.

Apenas em 2024, o gasto total com publicidade nas redes sociais alcançou US$ 247,3 bilhões, aumento de 14% em relação a 2023. O estudo destaca que essas grandes empresas de tecnologia contribuem para a proliferação de conteúdos manipulados ou enganosos, novamente afetando diretamente o Jornalismo. 

A concentração de propriedade também é um imbróglio destacado pelo estudo, já que ameaça diretamente o pluralismo de imprensa. Em 46 países, a propriedade dos meios de comunicação está altamente concentrada, ou mesmo totalmente nas mãos do Estado. 

Com informações da Agência Brasil.