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Mestre da Cultura do Ceará, Klévisson Viana publica cordel sobre a morte de Papa Francisco

Contado a história e lamentando a morte do Papa Francisco, o mestre da Cultura, Klévisson Viana, publicou, nesta segunda-feira (21), o primeiro cordel sobre o falecimento do pontífice, anunciado pelo Vaticano na madrugada do mesmo dia. O cearense é escritor, cordelista, editor, cartunista, estudioso da cultura popular e produtor cultural.

O multiartista conta com diversos prêmios relevantes, como o Troféu HQ MIX e Prêmio Jabuti de Literatura. Também é criador e coordenador geral da Feira do Cordel Brasileiro, fundador e atual presidente da Associação de Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará (AESTROFE) e proprietário da Tupynanquim, editora especializada em HQs, cultura popular e Literatura de Cordel que já lançou trabalhos de quase duas centenas de autores.

Os versos percorrem pela tristeza do mestre com a perca de Francisco, mas narram, com a sutileza e poesia de Viana, a juventude, os estudos e o legado do papa argentino, principalmente os feitos sociais e políticos. Temas como o apoio do papa às lutas de base, pelo fim da pobreza, pelo cessar de guerras, o apoio as minorias, bem como outras visões progressistas, mesmo diante de alas conservadoras da igreja, fazem parte do livreto.

Confira o cordel na íntegra:

Adeus ao Papa Francisco

O poeta cordelista
Possui a finalidade
De narrar fatos históricos,
Expor a realidade.
A cultura é seu emblema,
Ao escrever qualquer tema
Fala com propriedade.

Dos temas que escrevi
Que retenho no sentido
Este, em especial,
Não pode passar batido.
Por isso clamo a Jesus,
Nosso mestre, nossa luz,
Que me mantenha instruído.

Nesses versos nordestinos
Pretendo homenagear
A Jorge Mario Bergoglio,
Nosso pastor singular,
Querido Papa Francisco
Que lutou correndo risco
No seu papado exemplar.

Foi ele, pra cristandade,
Um homem acima da média
Que levou sua palavra
Onde a dor e a tragédia
Atentava contra o povo,
Mostrava um caminho novo
Sempre com firme estratégia.

Foi Jorge Mario Bergoglio
Nascido na Argentina.
Filho de italianos,
Muito cedo se destina
Levar abrigo e cuidado
A todo desamparado,
Com sua fé genuína.

Lutou nas periferias
Amparando os desvalidos,
Levando o pão e a fé
Aos humildes excluídos
De nossa sociedade,
Com solidariedade
Os pobres foram remidos.

E Jorge ordenado padre
Buscou sublime postura.
Muito culto, estudioso,
Lecionou Literatura.
Formado em Teologia
Ensinou psicologia,
Expondo vasta cultura.

Ascendeu dentro da Igreja,
Subiu altos patamares.
Seus sermões tocavam fundo
Os corações de milhares,
Por sua simplicidade
Era um farol da verdade
Que iluminava os lares.

E como um bom argentino
Em seu gosto musical
Era um amante do tango,
Ritmo belo, especial.
Nas paixões, entra no rol,
Seu gosto por futebol,
Ser torcedor sem igual.

Fez-se um líder respeitado
A serviço do Divino,
Por sua simplicidade,
Ser popular, genuíno.
Pelo bem que semeou
Foi eleito e se tornou
Primeiro papa latino.

Foi líder dos Jesuítas,
Manteve firme postura.
Alguns até o acusaram
De apoio à Ditadura,
Mas nada ficou provado.
E o bem foi seu legado
De maior envergadura.

Com o fim da Ditadura
Foi estudar na Alemanha.
Ao retornar à Argentina,
O país em crise apanha,
Jorge empenhou seu nome
E na luta contra a fome
Empreendeu forte campanha.

Levou a fé e o pão
Aos mais distantes lugares,
Alimentando esperança,
Soerguendo muitos lares.
Matando a fome e a sede,
Jorge criou numa rede
Restaurantes populares.

Com a luta pelos pobres,
Por papel primordial,
Seu nome ganhou destaque
Em proporção mundial.
De bispo de Buenos Aires,
Galgou novos patamares
Sendo o ator principal.

Eleito ao trono de Pedro,
Como virtuoso Papa,
Deu-se o nome de Francisco
Para cumprir nobre etapa
A serviço do Cordeiro,
Como farol, um luzeiro…
Em sua fé não derrapa.

Sucedendo o Papa Bento,
Que havia renunciado,
Francisco reconstruiu
A Igreja no papado.
Em atos e homilia
O combate a pedofilia
Faz parte do seu legado.

Com humildade, coragem,
Com garra e disposição
Enfrentou dentro da Igreja
Desonesta oposição.
A ala conservadora,
Elitista, inquisidora,
Que sonega abrigo e pão.

Foi um papa progressista,
Mostrou sua humanidade,
Sempre aberto ao diálogo
Com toda sociedade.
Agora a Igreja em risco,
Sem nosso Papa Francisco
Acordou na orfandade.

Acolheu os excluídos,
Pregou para minorias.
Os seus atos mais fraternos
Trouxeram melhores dias
Para pessoas sofridas;
Não desprezou pobres vidas
Cheia de lutas, porfias.

Foi sábio, foi includente,
Respeitou as diferenças.
Em pregações fraternais
Acolheu todas as crenças,
Com respeito e tolerância,
Mantendo firme constância
E compreensões imensas.

Foi ele, atento e antenado
Com o mundo de hoje em dia.
Não discriminou ninguém,
Acolheu como podia.
Com pensamento fecundo,
O que fez por este mundo
Reflete grande valia.

A parte podre da Igreja
Não deu apoio ou suporte
Ao papado de Francisco,
Não desejou boa sorte,
Ao contrário, praguejou
Abertamente e pregou
De Francisco a sua morte.

Agora, a Igreja Romana
Vem correndo imenso risco,
Se cair nas mãos de um bispo
Opositor de Francisco
Na certa dissipará
E com ódio espalhará
As ovelhas do aprisco.

Um ultraconservador,
Arrogante e elitista,
Distante da humildade
Com ares de narcisista,
Opositor de Jesus
Que inveja o brilho e a luz
Do nosso papa humanista.

Humildes todos clamamos,
Em nome dos desvalidos,
Um novo papa que seja
A favor dos excluídos,
E que o mártir do madeiro
Siga como o timoneiro
Do papa em todos sentidos.

Voltando ao Papa Francisco,
Sua postura exemplar,
Mesmo com agenda cheia
Dava um jeito de ligar
A sacerdote que luta
Enfrentando a fome bruta,
Que insiste em assolar.

Para o Padre Lancellotti
Sempre fazia ligação.
Uma fala carinhosa,
Um apoio pra missão
De combate a fome crua
Da população de rua,
Que leva vida de cão.

A Gabriel Romanelli,
Padre que enfrenta horrores
Firme na Faixa de Gaza,
Francisco com seus pendores
De cristão mais elevado,
Ligava, fazia agrado
A um de seus bons pastores.

Francisco foi divisor
Na história da Igreja.
Fez a Igreja mais humana
Que a humanidade almeja;
Fez-se santo, olhar sensível,
Enxergava o invisível
Com sua alma benfazeja.

Fará falta, muita falta,
Mas ficará seu exemplo
De religioso que
Fez da sua vida um templo
Do mais autêntico cristão
E a sua imagem, então,
Ao lado de Deus contemplo.

Prestei sincera homenagem
A Francisco e seu legado.
Viverá eternamente
Seu bom exemplo deixado,
Meu respeito e gratidão,
Respeito de coração
O seu bonito papado.

MORTE DO PAPA

Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, faleceu aos 88 anos, na madrugada de segunda-feira, após ocupar o papado por 12 anos. As informações foram confirmadas pelo Vaticano, diretamente da Capela da Casa Santa Marta, pelo cardeal Farrell. O Governo do Ceará decretou luto oficial de sete dias em razão da morte de Francisco, o primeiro pontífice da América Latina. A decisão foi oficializada por meio de decreto. “Seu legado de amor e dedicação aos mais pobres e desassistidos jamais será esquecido”, declarou por meio das redes sociais o governador Elmano de Freitas (PT), que está em viagem à China.