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China retalia as tarifas de Trump e aumenta em 125% as importações dos EUA

O órgão chinês destacou ainda que a imposição pelos EUA de aumentar as tarifas fora do normal sobre a China viola seriamente as leis internacionais. Foto: AP Photo / Saul Loeb

Após o aumento das tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos chineses em 145%, a China também aumentou seus impostos sobre importações dos EUA para 125%, nesta sexta-feira (11). O chefe do Executivo estadunidense busca aumentar as apostas em uma guerra comercial, que deve afetar as cadeias de suprimentos globais. Para o Ministério das Finanças chinês, as novas tarifas são uma “intimidação e coerção completamente unilaterais”.

A retaliação da China intensificou a tempestade econômica desencadeada pelo tarifaço de Trump, que fez os mercados despencarem e os líderes estrangeiros ficarem confusos sobre como agir diante da maior perturbação da ordem comercial mundial das últimas décadas. “O risco de recessão é muito, muito maior agora do que era há algumas semanas”, destacou Adam Hetts, chefe global de multiativos da Janus Henderson.

Mesmo com a retaliação chinesa, o governo dos EUA se mantém firme, e segue promovendo suas discussões com vários países sobre novos acordos comerciais que, segundo ele, justificarão sua dramática mudança política. Os aumentos tarifários recíprocos dos EUA e da China podem impossibilitar o comércio de bens entre as duas maiores economias do mundo, que valia mais de US$ 650 bilhões em 2024, como já ressaltam analistas.

Após as medidas, ações globais caíram, o dólar recuou e a liquidação de títulos do governo americano acelerou, reacendendo os temores de fragilidade no maior mercado de títulos do mundo. Conforme o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, mais de 75 países querem iniciar negociações comerciais. O próprio Trump expressou a expectativa de um acordo com a China, a segunda maior economia do mundo.

GUERRA COMERCIAL COM A CHINA

Embora tenha anunciado uma pausa tarifária de 90 dias em dezenas de países no início desta semana, Trump aumentou as tarifas sobre as importações chinesas, elevando-as efetivamente para 145%. Pequim, capital da China, indicou que esta seria a última vez que se igualaria aos EUA, caso Trump assumisse um cargo mais alto.

“Mesmo que os EUA continuem a impor tarifas ainda mais altas, isso não terá mais qualquer significado econômico e será considerado uma piada na história da economia mundial”, destacou o Ministério das Finanças.

O órgão chinês destacou ainda que a imposição pelos EUA de aumentar as tarifas fora do normal sobre a China viola seriamente as leis internacionais e econômicas de comércio, bem como as leis econômicas básicas e o bom senso, além de ser uma intimidação e coerção totalmente unilateral.

Ao primeiro-ministro espanhol Pedro Sanchez, o presidente chinês Xi Jinping disse durante uma reunião em Pequim que a China e a União Europeia deveriam “se opor conjuntamente a atos unilaterais de intimidação”, em uma crítica às políticas tarifárias de Trump.